A poesia me salva todo o dia.

Quando a gente sente muito tem dessas coisas. Estar olhando a rua pela janela de um ônibus e pensar sobre o quanto a poesia é um ponto de luz na escuridão. É auto ajuda, terapia, autorreflexão. Você lembra de um verso que exala o maior  amor e por dentro grita: “eu tô vivo!!!“.
A poesia me salva todo o dia.

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dia do contador de histórias

Oi, tudo bem?

No dia 20 de março é comemorado o Dia do Contador de Histórias. Pensar nessa profissão me remete à minha infância e aos eventos infantis espalhados pela cidade que minha mãe me levava  e das “semanas culturais” que aconteciam nos colégios que estudei durante o ensino fundamental. Até porque, antes de existir YouTube, tablets e celulares multifuncionais, para uma criança ouvir uma história era assim: percebendo o sentir, a alegria e o encanto do contador.

E falando em contador de histórias, como não pensar no maior contador de histórias do cinema? Forrest Gump – O contador de histórias. Em um banco de ponto de ônibus, Forrest conta a longa jornada da sua vida para quem ali resolve sentar. Ele ensinou Elvis Presley a dançar, inspirou a mais famosa composição do John Lennon, lutou na guerra do Vietnã, foi campeão de Ping Pong, conheceu vários presidentes dos EUA, presenciou a entrada dos negros das universidades e mais um monte de coisas. Um clássico!

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No cinema nacional, também há a presença de um incrível contador de histórias e pedagogo. Porém, dessa vez, trata-se da biografia de Roberto Carlos Ramos que é contada no filme O Contador de Histórias.
Roberto Carlos é o mais novo de 10 irmãos, quando aos 6 anos sua mãe o conduziu para viver na Febem (atual Fundação CASA), já que não possuía condições de cria-lo. Em meio a fugas, retornos e analfabetismo, aos 13 anos Roberto foi adotado por uma pesquisadora francesa que estava visitando a Febem para finalizar sua tese de doutorado. Após a adoção, a trajetória de Roberto Carlos contém muito estudo e trabalho. O que resultou em um ser humano com condição suficiente para criar uma grande família: 13 crianças adotadas da Febem. Excelente filme e excelente história de vida! 🙂 Vale a pena assistir.

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Entrevista de Roberto Carlos Ramos no programa Jô Soares:


E ai, que histórias a gente pode contar hoje?


Uma ótima vida!
Valeu. :*

O impacto de um livro

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A obra do mexicano Jorge Méndez Blake está rolando pelas páginas de literatura das redes sociais.
Jorge Méndez Blake manipula a literatura clássica. Ele conecta literatura e artes visuais por meio da criação de obras tridimensionais, onde combina objetos naturais e fabricados, além do uso de desenhos e intervenções ambientais.

Para saber mais sobre o artista, acesse seu site: http://www.mendezblake.com/

🙂


Uma ótima vida!
Valeu. :*

Sem Plumas

Sem Plumas, Woody Allen – Ed. Circulo do Livro S.A., 1978 SEM_PLUMAS_1289081178B

Já fiz um recortes de trechos desse livro aqui no blog, mas ao terminar a leitura achei que seria legal contar mais.
O livro contém fragmentos do diário de Allen, ensaios e duas peças de teatro. Tudo é escrito com um humor sarcástico e gostoso. Woody Allen é engraçado por essência.

Como o livro é uma reunião de coisas, escolhi os pontos altos, ou seja, meus escritos preferidos:

1) Morte (Peça de um ato): Um homem é acordado no meio da noite para entrar em um plano a fim de capturar um tarado que está a solta pela cidade. Apesar de desnorteado, ele acaba indo e… coisas acontecem.

2) Guia breve, porém útil, da desobediência: Aqui, Allen da dicas básicas sobre como iniciar uma revolução (rs).

Para se fazer uma revolução precisa-se de duas coisas: primeiro, alguém ou alguma coisa contra a qual se revoltar; segundo, alguém para fazer efetivamente a revolução. O traje é informal e ambas as facções devem ser flexíveis a respeito o local e hora do evento.” (pg. 125)

Ele nos conta também sobre alguns métodos de desobediência civil.

Greve de fome: Quando o oprimido fica sem comer até que suas exigências sejam atendidas (…)  O problema da greve de fome é que, depois de alguns dias, fica-se com uma bruta fome, e o governo então se aproveita para fazer com que todos os alto-falantes transmitam exclamações como “Hum… que delicia esta galinha…” ou “Pode me passar o molho?” ou “Já provou esta mousse?”. (pg. 126)

Greve sentada: Quando uma pessoa escolhe um determinado lugar na fábrica e senta-se sem trabalhar (…) Como na greve de fome, os opressores tentarão por todos os meios fazer o grevista levantar-se. Poderão dizer: “Ok, rapazes, é hora de ir para casa!” ou “Podia levantar-se um pouquinho? Queria ver se você é mais alto do que eu.

Passeatas: A principal finalidade de uma passeata é a de ser vista pela população (…) Durante a passeata é conveniente levar faixas e cartazes, para deixar em claro a posição dos manifestantes…” (pg. 127)

3) Ensaio sobre o amor:
É melhor amar ou ser amado? nenhum dos dois, se a sua taxa de colesterol estiver acima de seiscentos. Quando falo de amor, naturalmente me refiro ao amor romântico (…) Para ser um grande amante deve-se ser forte e, ao mesmo tempo, terno. Mas forte até que ponto? Acho que basta conseguir levantar trinta quilos. É preciso também ter em mente que, para quem ama, a mulher amada é sempre a coisa mais linda do mundo, mesmo que para um estranho ela seja indistinguível de um prato de mexilhões. A beleza está nos olhos de quem vê. Se quem vê for míope ou estrábico deve perguntar a pessoa ao lado qual é a garota mais bonita.
“As alegrias do amor duram apenas um instante”, catou o bardo, “mas suas dores duram uma eternidade”… (pg. 123)

4) Se os impressionistas tivessem sido dentistas: Allen recria as cartas que o pintor Vincent Van Gogh enviava ao seu irmão Theo. Conta os fatos como se, ao invés de pintor, Van Gogh fosse dentista.

Prezado Theo,
Sim, é verdade. A orelha à venda no mercadinho é a minha. Acho que fiz uma besteira, mas eu queria mandar um presente de aniversário a Claire no sábado passado e todas as lojas estavam fechadas. Não sei porque ela a vendeu para o mercadinho. Ora, bolas. talvez eu devesse ter ouvido o que papai dizia e me tornado pintor. Pode não ser tão emocionante, mas a vida seria mais estável. (pg. 224)

.haha.

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Uma ótima vida!
Valeu. :*

Eu te dedico

Oi, tudo bem?

Você já ganhou um livro com uma dedicatória linda ou ao presentear alguém com um livro ficou horas pensando o que escrever na dedicatória? Então, o Eu te dedico, é um projeto incrível que pode ser do seu interesse; no site há fotos de dedicatórias escritas em livros. Segundo o projeto, “um livro com dedicatória é um livro com duas histórias.” 🙂

Vale a pena conferir e passar um tempo no site se inspirando.

http://eutededico.com.br/

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Uma ótima vida!
Valeu. :*

5 sites legais

Está sem nada pra fazer? Cansou das mesmices da Internet? Então cola nesse post que tem coisa boa. 🙂

Além de ser um bom lugar para passar o tempo, dar risada e conhecer gente, a Internet também é excelente para adquirir todo tipo de conhecimento e/ou conteúdo. Poderia compartilhar vários memes nesse post (adoro!), mas vou indicar 5 sites beeem legais para ocupar o tempo e a cabeça. Podem ser úteis pra quando você estiver a fim de pensar, não pensar, chateado precisando de uma autoajuda (sim!), querendo conhecer coisas novas e em busca de dicas bacanas.

Revista Bula
Revista Bula é uma revista eletrônica de literatura e jornalismo cultural. Apresenta artigos e matérias sobre assuntos diversos, tais como filmes, música, literatura, cotidiano, estilo de vida. Tem muita conteúdo e muita coisa pra agradar todo mundo.
Um texto de lá que indico: 50 frases de Drummond para carregar no bolso

Obvious
O Obvious segue a mesma ideia da Revista Bula (eu acho!). Tem artigos sobre todos os temas que citei acima e ainda sobre arte, arquitetura, fotografia, design, sociedade, etc. E o legal é que eles são escritos por vários tipos de pessoas. Ali tem texto de psicólogo(a), sociólogo(a), professor(a), arquiteto(a), estudante, de gente! Rola até uns textos legais sobre comportamento e estilo de vida, que, por mais óbvios que sejam, podem trazer uma certa identificação.
Por exemplo, esse aqui: Sobre escolhas que não queremos e caminhos que não sonhamos

IdeaFixa
IdeaFixa é um site para o mundo. Fala sobre arte, vida urbana, fotografia, moda, cinema, etc, etc… tem até umas bizarrices e curiosidades. Além de mais um monte de coisas diferentes.
Tipo esse aqui ó: Apenas um bebê coalinha para melhorar o seu dia ♥

Literatortura
Além de dar dicas de livros, críticas e textos sobre obras literárias. O Literatortura também contém textos sobre filmes e comportamento.

Millôr Online
Puxando saco do finado Millôr Fernandes, coloco seu site nessa lista porque é um endereço legal pra se divertir. Tem um pouco de tudo da sua obra: poesias, textos, contos, hai-kais, frases, charges, etc. Vale a pena conferir, principalmente pelo humor irônico do Millôr. Por exemplo, o Dicionário Irrefletido

Espero que gostem! Grande abraço.


Uma ótima vida!
Valeu. :*

Sopa de versos – Reinventando Drummond.

Já pensou em juntar versos aleatórios de poemas e ver qual seria o resultado? Com essa ideia (e tempo ocioso), resolvi fazer o que denominei de ~sopa de versos~. Como ingrediente principal utilizei poemas famosos do Carlos Drummond de Andrade. Mas se você não tiver Drummond, pode substituir por Fernando Pessoa, por exemplo.
E eis que surge um novo poema. Façam em casa, a experiência é legal!

“Mundo mundo vasto mundo
Depois de tantos combates
Provisoriamente não cantaremos o amor
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.

Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,
Depois morreremos de medo
e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas
Para renascer, eu sei, numa fictícia primavera.

Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
essa total explicação da vida,
esse nexo primeiro e singular,
ninguém a rouba mais de mim.”

(Os versos foram tirados das seguintes obras: Poema de Sete Faces, Poema da Purificação, Congresso Internacional do Medo, Para Sempre, Tarde de Maio, A Máquina do Mundo e Ausência).


Uma ótima vida!
Valeu. :*

Feliz dia do poeta e da poetisa! :)

Não existe nada mais poético do que o viver. A vida é um emaranhado de pequenos versos. Exprime exatamente os amores intensos, os perdidos e os não vividos. Diz sobre a amizade que foi, que renasce ou que já não é. Fala sobre a sua saudade, sua solidão, sobre comer a sobremesa antes do almoço, sobre a ressaca no dia seguinte, sobre dar e receber, sobre mandar se foder, sobre permitir e censurar. Diz sobre a lua que foi ao cinema, da casa muito engraçada, do vasto mundo, do passarinho, da cidade, do José, da Raimunda e da vaidade. Fala sobre os fracassos, os nossos e do vizinho, do anonimato, da imperfeição humana e daquela eterna sensação de se perder mil vezes só pra se encontrar de novo.

Deixo aqui, aos que se perderam e aos imperfeitos O Poema em Linha Reta de Fernando Pessoa (Álvaro de Campos)

“Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo.
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado
[sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe — todos eles príncipes — na vida…

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos — mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.”

(Rio de Janeiro, 1972).

*Se a poesia está em todo lugar, pode ser considerado poeta quem faz dos olhos caneta e da mente papel?

Se sim, prazer, poeta.

🙂


Uma ótima vida!
Valeu :*