O Apanhador no Campo de Centeio

Após um bom tempo de jejum, fico feliz em retomar as postagens neste espaço. 🙂

Minha resenha de “O Apanhador no Campo de Centeio”

Livro: O Apanhador no Campo de Centeio
Autor: J. D. Salinger
Ano de publicação: 1951

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“Mas a melhor coisa do museu é que nada lá parecia mudar de posição.  Ninguém se mexia.  A gente podia ir lá cem mil vezes, e aquele esquimó ia estar sempre acabando de pescar os dois peixes, os pássaros iam estar ainda a caminho do sul, os veados matando a sede no laguinho, com suas galhadas e suas pernas finas tão bonitinhas, e a índia de peito de fora ainda ia estar tecendo o mesmo cobertor.  Ninguém seria diferente.  A única coisa diferente seríamos nós.  Não que a gente tivesse envelhecido nem nada.  Não era bem isso.  A gente estaria diferente, só isso.  Podia estar metido num sobretudo, dessa vez (…)  Ou então a gente tinha ouvido o pai e a mãe da gente terem a maior briga no banheiro.  Ou então a gente tinha acabado de passar, na rua, por uma poça d’água com um arco-íris de gasolina dentro dela. Quer dizer, a gente estaria diferente, de um jeito qualquer – não sei explicar direito, mas o negócio é assim mesmo.  E, mesmo que eu soubesse, acho que não ia ter muita vontade de explicar”(pg. 51)

Com esse trecho lindo, inicio a resenha do O Apanhador no Campo de Centeio, deixando claro que, diferente do que eu pensava antes de iniciar a leitura do livro, ele não se trata de uma história de fazenda, agricultura ou colheita. Muito pelo contrário. O Apanhador no Campo de Centeio tem como cenário uma das maiores metrópoles do mundo: a cidade de Nova York. Mas não a Nova York de hoje que costumamos ver nos filmes e seriados atuais. Trata-se da vida urbana dos anos 50; a vida urbana pós-guerra e com seus princípios ainda conservadores.

Quebrando muitos paradigmas da época, o autor escreve O Apanhador no Campo de Centeio e causa um grande alvoroço na população da época. Os motivos do choque?

  1. O personagem principal do livro é um adolescente. Todavia, adolescentes nos anos 50 não eram personagens principais em nada. Eram se quer vistos. Foi a partir da metade dos anos 50 e início dos 60 que a juventude passou a ser tratada como temática e percebida pela população. A esse fator, incluímos a explosão do rock n roll e de ícones da cultura da época, como por exemplo, James Dean e Elvis Presley.
  2. Não contente em ter um adolescente como narrador de sua própria jornada, o autor escreveu de tal modo que fosse exatamente a maneira como o adolescente falava, com simplicidade na linguagem e a escrita repleta de gírias, fugindo do coloquial.
  3. Durante a narrativa, o personagem aborda temáticas tais como namoro, sexo, puberdade, etc.

Essa mistura de ~escândalos~ transformaram O Apanhador no Campo de Centeio em um dos livros mais importantes e aclamados da literatura americana.

A história é narrada por Holden Caulfield, um jovem de 17 anos, de uma família de classe média alta que pela “milésima vez” é expulso do colégio. Porém, não seria certo dizer que Holden é um rebelde sem causa. Apesar do ódio que sente por tudo e todos, suas expulsões frequentes e sua dificuldade em fazer e manter amigos, Holden é apenas um adolescente que se recusa a crescer.

Ele busca seus modelos, mesmo não sabendo ao certo o que deseja; o irmão mais velho, antigos professores, um ex-colega de escola, são pessoas de quem Holden retira aprendizados, ainda que não perceba. Ser adolescente é se moldar, certo?! Todos já fomos adolescentes e sabemos como é difícil tal fase. Uma vez que, somos grandes demais para sermos crianças e novos demais para sermos adultos por completo. E é nessa transição angustiante emocional, física e psicologicamente em que Holden se encontra. Com sua síndrome de Peter Pan, Holden recusa-se a se render ao sistema acadêmico, as regras familiares, as amizades vazias e aos modismos momentâneos.

E para exemplificar seu processo, Holden utiliza, genialmente, a metáfora do campo de Centeio e do seu grande abismo.  O que ele não quer para si, não deseja para mais ninguém. Acredita que o mundo dos adultos seja repleto de hipocrisia, inconsistência e pessoas ainda mais perdidas (ele tem razão, né?!)

“Fico imaginando uma porção de garotinhos brincando de alguma coisa num baita campo de centeio. Milhares de garotinhos, e ninguém por perto – quer dizer, ninguém grande – a não ser eu. E eu fico na beirada de um precipício maluco. Sabe o quê eu tenho de fazer? Tenho que agarrar todo mundo que vai cair no abismo. Quer dizer, se um deles começa a correr sem saber onde está indo, eu tenho que aparecer de algum canto e agarrar o garoto. Só isso que eu ia fazer o dia todo. Ia ser só o apanhador no campo de centeio. Sei que é maluquice, mas é a única coisa que eu queria fazer. Sei que é maluquice.”

Quando se termina a leitura do livro, logo se pensa que Holden tem muito que aprender e viver. Mas, bem no fundo, a gente deseja que tudo aconteça na hora e momentos certos. Sem pressões, sem precocidade… para que, apesar de muitas vezes triste, ele desfrute da sua juventude.

O Apanhador no Campo de Centeio mudou a minha vida.

O principal motivo é a identificação que Holden trás a tona. A sua marginalidade é tão visível, que desperta a empatia e aquela sensação de “Holden, eu te entendo.” Assim, o grande abismo passa a fazer tanto sentido que explica o porque da influência do livro nas contraculturas das décadas posteriores. Holden é um herói por essência e o seu desejo de “salvar” os seus semelhantes do grande abismo é uma das ideias mais lindas que já experimentei conhecer. Grata por essa leitura!

Além disso, a obra de J. D. Salinger, foi referência para outros artistas.
Por exemplo, a banda Green Day gravou a música “Who Wroten Holden Caulfield?”. E o Guns N’ Roses, a música “Catcher In The Rye”.

“He makes a plan to take a stand but always ends up sitting.
Someone help him up or he’s gonna end up quitting…”


Uma ótima vida.
Valeu! :*

 

Mad Men

Oi, tudo bem?

Mad Men é uma série original HBO da qual ouvi falar durante muito tempo e que  recentemente resolvi conhecer. No momento, estou na quarta temporada e amando loucamente, é realmente muito bom!

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A história se passa nos Estados Unidos dos anos 60. Sterling Cooper é uma agência de publicidade que possui um diferencial: o talentoso Diretor de Criação Donald Draper.
Don Draper é o cara central de toda a série e sua vida é um verdadeiro sonho americano: vida profissional promissora, dinheiro e uma linda família. Apesar ter tudo em suas mãos e ser invejado por isso, Don está sempre em busca de mais, isso faz com que ele leve uma vida dupla e cheia de segredos sobre o seu passado.

À parte Don, na segunda temporada, os personagens começam a dar grandes voltas em sua vida e a trama fica ainda mais legal. Acho que o mais interessante de acompanhar uma serie é perceber as mudanças que ocorrem com os personagens conforme as coisas acontecem.

Além das historias de vida dos envolvidos, nota-se a rotina de trabalho do mundo dos negócios e da propaganda; é curioso o modo como os publicitários pensam e criam as propagandas e o modo como a mesma evoluiu: da revista para os rádios e dos rádios para a TV. Observa-se a presença de grande competitividade e ambição tanto na vida profissional quanto pessoal dos personagens. O anseio por status é a prioridade de alguns. O escritório e a vida social parecem uma grande selva: homens bem vestidos que não controlam seus instintos e vivem em uma lei da Seleção Natural sem fim, independente de a disputa ser um novo cliente ou uma nova mulher.

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Outro ponto que destaquei da série são algumas questões sociais e políticas que  começaram a entrar em pauta nos EUA nos anos 60. A luta dos negros por direitos civis, a mulher no mercado de trabalho, a submissão feminina e o aumento da criminalidade e violência, por exemplo.

E claro que além da tragédia, tem as festas, os casos amorosos, os jantares de negócios, os vestidos e uma trilha sonora delicia! Só vejo motivos positivos para o mundo inteiro ver essa série.

Ao todo, a série conta com 7 temporadas, sendo que a última é dividida em duas partes. Estou louca pra terminar de ver.

Não te convenci? Então olha esse vídeo:

🙂


Uma ótima vida!
Valeu. :*

Gilbert Grape

Filme: Gilbert Grape – Aprendiz de Sonhador
Diretor: Lasse Hallström
Ano: 1994

Oi, tudo bem?

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A história do jovem Gilbert Grape acontece na pequena cidade de Endora. Ali, Gilbert nasceu, foi criado e viveu toda a sua adolescência. Desde que seu pai suicidou-se, Gilbert trabalha em um mercadinho da cidade para sustentar sua família: a mãe depressiva e obesa mórbida, as duas irmãs que precisam cuidar da mãe e o caçula Arnie, um garoto de 17 anos com problemas mentais e que fica aos cuidados de Gilbert. As coisas começam a mudar quando Gilbert conhece Ellen, que está de passagem pela cidade. Ele, que até o momento possuía um caso com uma mulher casada, apaixona-se por Ellen e os dois passam ótimos momentos juntos até o dia em que ela precisa partir.

Finalmente assisti o filme que rendeu a primeira indicação ao Oscar para Leonardo DiCaprio – e a sua atuação é realmente muito boa! Arnie é ingênuo e interpreta as situações a sua volta como uma grande piada. Ele é muito amado e protegido pela mãe, que o chama de “milagre”, já que há 17 anos é desacreditado pelos médicos.

Apesar de todas as dificuldades que a família enfrenta e as brigas constantes, o lar é cheio de preocupação e afeto demonstrado pelas diversas situações de cuidado entre os familiares.

Assistindo ao filme, existem momentos em que chega-se a ter raiva do pobre Gilbert de tão boa pessoa que ele é. Eu poderia fazer uma lista com as suas qualidades. Ele é um personagem de uma empatia tamanha. Devido aos problemas da vida, Gilbert desenvolveu o costume de colocar as necessidades alheias sempre à frente das suas; não suporta saber que as pessoas machucam seu irmão indefeso ou ver que sua mãe virou piada na cidade.

Ele preocupa-se em como os outros irão receber as suas palavras e atitudes. Toda a energia de Grape é destinada apenas ao outro. Porém, há um momento em que ele se desgasta e as consequências desse desgaste são significativas para Grape que conclui que por mais que as vezes queira pensar um pouco mais em si, ele ama a sua família acima de qualquer coisa – talvez mais que a ele próprio.

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Apesar do filme ser antigo, podemos imaginar quantos “Gilbert Grapes” estão por aí, espalhados pelo mundo. Esquecendo-se de si para doar-se ao semelhante. Encontrando refugo apenas nos seus sonhos e nos poucos amigos que tem. Talvez eu tenha viajado demais em cima do personagem e da sua história. Mas achei ela sensível e de alguma forma capaz de levantar algumas perguntas a respeito de à quantas anda a minha própria capacidade de colocar-se, o mínimo que seja, no lugar do outro. E claro, nunca desistir de acreditar que as coisas irão melhorar.

Enfim, poderia resumir tudo isso em uma frase só: Gilbert Grape e sua luz própria apenas acontecem. 🙂

Espero que gostem.


Uma ótima vida!
Valeu. :*

O menino e o mundo

Oi, tudo bem?
Na semana passada, assisti a animação O Menino e o Mundo, que está sendo exibida gratuitamente em Curitiba.
O Menino e o Mundo é um filme brasileiro, dirigido por Alê Abreu e neste ano, concorre ao Oscar de Melhor Filme de Animação.

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Apesar do desembaraço de seus traços, o filme é mais complexo do que podemos sugerir quando se começa a assistir. Então, vamos lá à minhas impressões pessoais sobre a obra:

Sinopse: A história gira em torno de um menino que sai pelo mundo em busca do seu pai que deixou para trás a casa da família visando um emprego melhor. Na sua saga, o menino depara-se com muitas novidades: pessoas, máquinas, a cidade grande, a desigualdade social, o consumo, etc.

A fotografia e o desenho

A particularidade de O Menino e o Mundo quando se trata de seus aspectos visuais é a simplicidade.
Há a presença de desenhos com traços fortes feitos com giz de cera, lápis de cor, colagens e pinturas. Nos dá a impressão de que tudo aquilo não passa de uma brincadeira de criança. Com cenários imaginários que vem e vão, alguns detalhes são de encher os olhos.
Um exemplo é a música; não contente em apenas nos fazer ouvir a música doce da flauta do pai do menino, o autor achou digno transformá-la em algo visível, por meio de partículas laranjas que ele guarda em um potinho <3. Foi a primeira vez em que VI a música e achei isso de uma sensibilidade tamanha.

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Os sons

Outra técnica usada para mexer com a imaginação de quem assiste é a ausência de diálogos. São poucos os momentos do filme em que ouvimos o que “parece ser uma conversa.” A princípio, aquilo são apenas sons aleatórios imitando a voz do personagem, porém, é o nosso português – só que de trás para frente.

Os sons e os ruídos dão uma vida fantástica ao longa e também foram criados especialmente para ele. O diferencial é que os animais, automóveis, máquinas, etc., foram copiados do mundo real e somados à distorções para que representassem exatamente como o menino estaria ouvindo as suas descobertas (o por isso da música ser visível).
Além disso, a trilha sonora possui uma certa reflexão ao cunho social. Ela representa muitas coisas: a alegria de um povo, a opressão, tristeza, fome, saudade, etc…O rapper Emicida interpreta a música tema do filme, “Aos Olhos de Uma Criança”, que pode ser ouvida aqui:

A mensagem

Em sua jornada de descobrimento, o menino, morador de uma casa simples do interior, encontra seu pai em uma fazenda destinada ao plantio de algodão. Ali, depara-se com a primeira cena de desigualdade: mão de obra barata e oprimida e um fazendeiro rico e explorador.
A exploração vista no campo é repetida quando o menino chega às indústrias. Primeiro, trabalhadores cansados e em seguida, a substituição destes por máquinas e o descarte do proletário.
À parte de toda essa descoberta, o menino conhece famílias pobres enquanto outras se banham no luxo e a força do consumismo enquanto as florestas somem! Tecidos, roupas, sapatos, rostos famosos e tudo o mais que estamos acostumados, ilustram a desigualdade social e sensibilizam o espectador à uma realidade que, devido ao triste costume, nos passa despercebido.

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Aos olhos de uma criança, tudo tem um pouco de vida diferente. Até lembrei de Saint-Exupéry, de que só se vê em com o coração. 🙂

Todavia, devido ao estímulo de imaginação, O Menino e o Mundo pode ainda despertar outras reflexões em adultos e crianças, cada qual com sua razão e nível. E com certeza, vale muito a pena conferir!

Estou na torcida pelo Oscar.

Assista ao trailer: https://www.youtube.com/watch?v=l7x8oi_1GBo

Espero que gostem!


Uma ótima vida!
Valeu. :*

 

 

Loucuras de um gênio – The Devil and Daniel Johnston

Oi, tudo bem?

Loucuras de Gênio (The Devil and Daniel Johnston) é um documentário angustiante que mostra a trajetória do cantor Daniel Johnston. Então, segue breve resumo e minhas impressões pessoais.

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Daniel Johnston é uma figura completa – cantor, compositor, músico e artista. 🙂
Durante sua juventude, recebeu o diagnóstico de transtorno bipolar. O que tornou sua vivência uma batalha e transformou a vida do gênio de cabeça para baixo.

Durante a infância, Daniel era uma criança promissora e com inteligência acima da média. Na adolescência, por sua vez, começou a demonstrar os primeiros sinais de uma saúde mental debilitada. Ele possuía a certeza de que seria famoso e de que era um ótimo artista, sua auto confiança era plena!  Gravava a si mesmo recriando cenas do cotidiano com muito bom humor, fazia desenhos sobre os seus sentimentos, gravava todos os seus pensamentos e adorava tocar piano.

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Conforme passaram-se os anos, após tentativas de fazer Daniel se encaixar em uma universidade, seus pais o mandaram para morar com um irmão. Feita a mudança, Daniel não apenas conseguiu um emprego no McDonald’s, como também, fez da garagem de seu irmão um estúdio improvisado – onde gravou seu primeiro álbum, o “Hi, How Are You?”.
Foi distribuindo suas fitas de mão em mão, que Daniel finalmente realizou seu sonho: apareceu na MTV, tornou-se famoso e um cantor promissor.

E então, começaram os delírios. Daniel acreditava que era um enviado de Deus e que tinha que combater o mal a todo custo. No auge de suas crises, Daniel falava apenas sobre assuntos religiosos e demoníacos.
Depois de muita crise foi medicado, preso e internado. Nunca deve ter sido fácil ser Daniel Johnston. Suas músicas são verdadeiras e expressam sentimentos reais, de amores não correspondidos a monstros mentais. Daniel é apenas verdadeiro, apesar de tudo.
Vale a pena ver o documentário que tem na Netflix e conhecer a obra desse ilustre homem. Fiquei surpresa com o quanto ele foi importante para a cena underground na época e trabalhou ao lado de grandes bandas (Sonic Youth, Velvet Underground).
Caracterizo o filme de sua vida como triste e pesado. Daniel matava um leão por dia, sim! E muitas vezes, é possível sentir a sua dor e principalmente, a dor de sua família.
Devido aos seus problemas, Daniel entrou em declínio e a venda de sua obra não resistiu, o que o tornou um cantor “pouco” conhecido. Uma grande pena!!

Inclusive, o meu primeiro manager, vive sua vida em busca de fazer com que TODAS as pessoas conheçam Daniel Johnston. Bora conhecer?

Ouça aqui no Spotify

Ou no YouTube!

❤ Coração dói.


Uma ótima vida.
Valeu! :*

O Grande Gatsby

Olá! 🙂
Vim até aqui para fazer uma resenha curta do segundo livro que li esse ano: o clássico O Grande Gatsby.

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O Grande Gatsby foi escrito pelo americano F. Scott Fitzgerald, e é considerado uma obra prima do autor. A obra foi publicada nos anos 20 e tal qual a realidade da época, fala sobre o período da Primeira Guerra Mundial e a juventude pós guerra.

O autor levanta questões como a prosperidade, o luxo, o materialismo sem limites e algumas questões morais.

A história é narrada pelo jovem Nick Carraway, que passa a observar as festas extravagantes na mansão do seu vizinho Jay Gatsby. Certo dia, ele é convidado para uma delas e se inicia assim, uma nova amizade.
No início do livro, Gatsby é um homem muito misterioso. A fonte da sua fortuna é motivo de boatos entre os que frequentam suas festas; alguns dizem que ele é traficante enquanto outros afirmam que Gatsby já matou um homem. Todavia, Gatsby, reservado sobre sua vida pessoal, abre-se com seu amigo Nick e lhe conta sobre seu antigo amor por Daisy, esta é prima de Nick e assim, é revelada a razão da aproximação entre vizinhos: Gatsby  quer se reaproximar da sua amada.
Acontece que passaram-se muitos anos desde que Gatsby e Daisy tiveram sua história de amor. Agora, Daisy é casada com Tom, um antigo atleta, com quem possui uma filha de 4 anos.
Nick atende aos apelos de seu amigo bilionário e prepara um encontro entre Gatsby e Daisy, encontros estes que começam a acontecer com frequência.
E quanto ao marido de Daisy? Tom também tem o seu deslize moral, ele possui uma amante para quem provê casa, comida e roupa lavada.
Em meio a descobertas, explosões emocionais, bebidas e festas, Nick nos conta como a história do Grande Gatsby se desenrola. E o final disso tudo é bem surpreendente! 🙂

A juventude é claramente impactada pela sociedade pós guerra. Jovens adultos loucos, embriagados, festeiros, artistas e fornicadores. Segundo relatos, o autor estaria fazendo uma critica ao famoso “Sonho Americano”.

O livro é curtinho e tem uma escrita bem fácil de ler. Se você for ansiosa (o) como eu, vai sofrer apenas com o fato de demorar pra entender ~qual é~ a do tal do Gatsby.

A obra ganhou uma peça a Broadway e duas adaptações para o cinema (filmes dos quais pretendo ver ainda).

Trailer do filme de 1974:

Trailer do filme de 2013:


Espero que gostem!


Uma ótima vida!
Valeu. :*

 

 

 

Frances Ha

Frances Ha
Diretor: Noah Baumbach
Ano: 2013

Oi, tudo bom? 😀

O que dizer sobre Frances?
A vida de Frances caminha em tempos de crise. Ela é uma jovem linda e extrovertida que saiu da sua cidade em busca do emprego dos sonhos e divide apartamento com sua melhor amiga.
Porém, sua amiga decide que é hora de tentar algo novo e se muda para viver com o namorado. Frances, que apostou todas as fichas na eterna fidelidade de morar com a amiga, sente-se perdida e então, vemos durante o filme, muitas características da atual juventude dos 20 e tantos anos.

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Vi em Frances um medo de crescer e tornar-se uma adulta altamente responsável. Ela, desastradamente, não acompanha o ritmo da sua amiga e de outras pessoas ao seu redor, isso transforma Frances em uma pessoa um pouco infantil, porém sonhadora e que, apesar da imagem de uma mulher forte, eu colocaria uma placa de “cuidado, frágil!”. Por vezes, vejo muito de Frances em mim.

Frances Ha é uma boa aposta para quem procura um filme introspectivo e real ou pra quem está tentando se encaixar em algo no mundo. Além disso, é envolvente ver a sua trajetória e dá curiosidade de saber como ela vai prosseguir a vida.

Sua fotografia é linda e autentica, inclusive, o filme é inteiro em preto e branco.

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Essa cena é ao som de David Bowie.

Então, se você se deparar com esse filme não fique receosa (o) em ver, tem um tesourinho ali, ok?!


Uma ótima vida!
Valeu. :*

 

A pele que habito

Oi, tudo bem?
Há mais de um mês não escrevo nada por aqui, o motivo? no meu teclado pifaram as letras “n” e “b”. Viver sem “b” ate que dá, mas viver sem “n” é impossível. 😦

Para matar minha saudade de procrastinar por aqui, segue uma indicação:   A Pele que Habito – um filme espanhol, lançado em 2011, do diretor Pedro Almodóvar.

Breve sinopse: Um cirurgião plástico (Roberto) acompanha o tratamento psicológico de sua filha (Norma). Traumatizada pela morte da mãe, a menina vive em reclusão até o momento em que os médicos acreditam que é hora da ressocialização. Em uma festa, Roberto encontra sua filha supostamente estuprada e em estado de choque. Então, Roberto planeja fazer justiça com as próprias mãos e se vingar do abusador da sua filha. Ele se utiliza da ciência, medicina e da sexualidade para pôr em prática sua vingança. É quase uma brincadeira de dependência psicológica que resulta em uma relação entre criador e criatura.

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Nos primeiros minutos, é difícil entender a proposta do filme. Foi meu primeiro contato com Pedro Almodóvar, e ainda não conhecia as temáticas “polêmicas” do diretor. Mas conforme a história se desenrolava comecei a pensar: “mas que porra é essa?!” Um drama-suspense-terror não convencional para quem gosta de coisas não convencionais. Existe uma balança equilibrada entre sanidade e insanidade. Uma descrição viva da premissa de que é possível ter controle da sua mente mesmo que o ambiente espere de você o contrário.

Porém, A Pele Que Habito é um filme que abrange não apenas o que destaquei na minha percepção pessoal, como também diversas outras temáticas que  é interessante a discussão e reflexão. Entre elas estão o trans sexualismo, a dominação e a obsessão, por exemplo. Para conhecer um pouco mais dessa pluralidade de emoções que o filme trata, tem um texto beeeem legal no site Obvious (site que já indiquei neste post aqui), onde o autor do texto aponta o filme como sendo uma metáfora de uma relação de dominação e achei isso de uma genialidade linda. Leia!

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Se ainda não assistiu, assista e conte sua experiência para os outros, sendo positiva ou negativa, trocar informações nunca é demais!


Uma ótima vida!
Valeu. :*

 

Woody Allen e eu – Manhattan

Não, eu não sou pseudo-cult-intelectual-blasé-hipster-hype-seilámaisoquealgunsrotulam só porque simpatizo com Woody Allen e neste exato momento lhes escrevo sobre ele. A verdade é que sou apenas mais um número na estatística de nascidos em 1992.
Demorei bastante tempo para assistir um filme do Woody Allen e o fiz em um bom momento da minha vida. Acho Woody Allen neurótico, imprevisível, engraçado e inteligente. Ver, entender e achar bom um filme do cara tem muito a ver com o estado de espírito em que você se encontra. Não é recomendável experimentar Allen em um dia cansativo física e/ou mentalmente, já que o filme escolhido pode não ser tão simples quanto parece e o resultado pode ser bem frustrante. Enfim, assisti poucos filmes do Allen (até agora!) e adorei as experiências. Por isso, tenho a boa intenção de compartilha-las com vocês.

Para começar, vamos falar sobre o clássico e aclamado Manhattan.

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Manhattan é um filme de 1979 dirigido e estrelado pelo próprio Woody Allen. Conta a história de um escritor de meia-idade divorciado que está para publicar um livro contando assuntos pessoais sobre o seu casamento acabado. O detalhe é que sua ex-mulher (Meryl Streep – linda demais) o largou para ficar com outra mulher e fica incomodada com a exposição que o ex-marido quer provocar. Enquanto isso, o escritor namora uma menina de 17 anos e começa a acreditar que precisa se envolver com uma pessoa mais madura. Dentre as milhares de mulheres maduras que existem em Nova York, ele começa a se sentir atraído pela amante do seu melhor amigo.

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Gosto da bagunça que Woody Allen faz quando apresenta relações humanas. Apesar de parecer maluco é algo muito real. Demonstra de uma maneira engraçada e um tantinho possessiva a guerra constante entre o emocional e o racional que todo e qualquer ser humano vivencia ao se apaixonar. Por vezes, reconhecer isso pode ou acabar com sua vida amorosa (rs) ou torná-la mais leve e especial.

No filme, Allen aponta questionamentos sobre o sentido da vida. Ele escancara declarações de amor, demonstrações de sentimentos e atrações. E então, encerra o filme, deitado em um ~divã~, respondendo a pergunta: “Por que vale a pena viver?” A resposta é bonita e bem subjetiva. Allen é maestro em questionar a existência humana.

Por essas e outras, assistir a Manhattan pode te levar a uma boa viagem.
O filme está disponível no Netflix.


Uma ótima vida!
Valeu. :*

Sociedade dos Poetas Mortos

Demorei muito tempo para ver esse filme! E que filme! Uma ambivalência altamente presente: revigorante e depressivo. Por questões pessoais, fiquei com a característica revigorante do filme, por isso, ao invés de lhes passar uma sinopse, resolvi contar quais foram as lições de A Sociedade dos Poetas Mortos (1989) que considerei que valem a pena:

Aproveite o dia:

O Professor Keating, interpretado por Robin Williams, é ex-aluno da Academia Welton (uma escola preparatória para meninos) e utiliza um método de ensino nada ortodoxo que causa certo impacto na vida dos garotos. Em uma de suas primeiras aulas, pede que um dos alunos leia o seguinte poema:

“Apanha os botões de rosas enquanto podes,
O tempo voa,
E esta flor que hoje sorri
Amanhã estará moribunda.”

Ele prossegue apresentando aos seus alunos o famoso lema: CARPE DIEM! Ou seja, aproveite o dia.

Seja dono da sua história.

Em mais uma aula épica, o Sr. Keating pede que seja feita a seguinte leitura:

“Oh eu! Oh vida! das perguntas sempre iguais,
Das infindáveis gerações de infiéis, das cidades cheias de tolos,
De eu mesmo eternamente repreendendo a mim mesmo (pois quem mais tolo do que eu, e quem mais infiel?)
Dos olhos que em vão desejam a luz, de objetos insignificantes, da luta sempre renovada,
Dos pobres resultados de tudo, da multidão laboriosa e sórdida que vejo à minha volta,
Dos anos vazios e inúteis dos que restam, com o que resta de mim entrelaçados,
A pergunta, oh eu! tão triste, ainda insiste – O que vale a pena em tudo isso, Oh eu, Oh vida?
Resposta.
Que você está aqui — que a vida existe e a identidade,
Que a poderosa peça continua e você pode contribuir com um verso.”

Bom, apesar dos pesares, você é o dono da sua vida. Escreva teus versos, recite-os para o mundo, reconheça sua identidade, se aceite!
Qual teu verso?

Enxergar com os outros olhos.

Na sala de aula, Sr. Keating sobe na mesa com a intenção de fazer os alunos perceberem que não é preciso ir muito longe para enxergar as coisas de outra maneira e ter pontos de vista diferentes a respeito da mesma coisa. Um gesto simples para dizer o quanto é essencial e possível ver além.

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Não existem fórmulas para se entender as belezas da vida.

Dispensem as fórmulas! Nem tudo precisa de conceito ou explicação.

Seja você mesmo.

Certa aula, o professor Keating pede que os alunos caminhem pelo pátio e observem suas diferenças. Com isso, ele lhes explicou a importância de se ser quem você é. Apenas “ande no seu ritmo”, ainda que digam que suas ideias e crenças são erradas, seja convicto sobre elas.

Não seja um acomodado.

Não se acomode com as situações rotineiras da vida.  Atreva-se, sempre que possível. E digo que, essa ultima lição acolhi como desafio para a atual fase da minha vida.

Anotem nos seus respectivos diários: o filme esta disponível no Netflix.

😉


Uma ótima vida!
Valeu. :*