das palavras nunca ditas

Quantas vezes você já se sentiu um fracasso? Patético, medíocre, a vergonha das vergonhas? Absolutamente, todos os dias. Se este sentimento não vem nem reconheço-me. Reinvento este corpo mole, estes pensamentos ásperos, estas vontades vis. A vida é um caralho que tira sua dignidade e não liga no dia seguinte. Quem foi o imbecil que inventou essa história de que as coisas precisam ter sentido? Esquerda e direita são sentidos. O resto, é intriga social pra fazer a gente se sentir ainda pior, colocar a falsa esperança no colo e fazê-la ninar…na porrada.

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Lidi.

Viver intensamente

Viver intensamente é um dos motivos pelo qual este espaço virtual existe. O que já explica que, neste caso, o viver intensamente não quer dizer que faço tudo o que quero (porque a realidade é longe disso), mas diz respeito ao sentir; ao 8 ou 80 das emoções.
Gosto de viver assim, já que na maioria do tempo, me permito ser inteira. Mas tudo na vida possui os seus prós e contras e enquanto não tenho dinheiro para a análise, escrevo umas bobagens para as coisas ficarem mais leves. O maior contra é de que a tristeza será sempre proporcional a quantidade de alegria – o que pode gerar uma carga de ansiedade e estresse dependendo da situação vivida.  É praticamente impossível guardar as coisas apenas para si, palavras e sentimentos são constantemente vomitados em lugares e pessoas. O maior pró, por sua vez, é de que pequenos momentos como comer aquele bolo favorito, beber uma cerveja, ir à um show ou assistir a um filme  tornam-se coisas extremamente prazerosas, ou seja, a razão para se estar vivo não é de grande ambição. E do outro lado da moeda, um emprego perdido, uma frustração amorosa ou uma data esquecida transformam-se em um show de drama à parte. E ainda tem um outro ponto importante, a capacidade de sonhar, mas sonhar muito!  E ai, a vida segue nesse eterno super, mega, exagerado(!) ritmo de emoções. Nem tudo o que é caos é necessariamente mau.  Lembrei-me de um texto maravilhoso que li no Obvious, em que a autora se utiliza do termo “sentimento oceânico” para expressar exatamente isso que estou tentando dizer. Ela diz que “oceânico é o sentimento capaz de fazer caber em si a imensidão do mundo.” A autora ainda reitera que há dias em que há em nós sentimentos mas sem oceanos: dias engolidos pela rotina e sem motivação. E, por outro lado, há também oceanos sem sentimentos: situações vividas sem emoção por qualquer motivo que seja. E, por fim, a conclusão é de que cada um experimenta as coisas ao seu modo. Se você tem todos os oceanos do mundo dentro de si quando olha pra pessoa amada, tudo bem. Mas se você não tem 1 litro de água do mar, tudo bem também. A sua conexão com o mundo e com as pessoas a sua volta é só sua. O importante é nunca desistir de buscar o equilíbrio entre a euforia e a preguiça aguda.
Já dizia Fernando Pessoa:
“Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive.”

A felicidade é só questão de ser.

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e/ do alto de uma janela/ também posso me vestir de preto/ para apitar o final. (Poesia de André Dahmer do livro “A coragem do Primeiro Pássaro”).

Texto completo – sentimento oceânico

🙂 ❤

Sociedade dos Poetas Mortos

Demorei muito tempo para ver esse filme! E que filme! Uma ambivalência altamente presente: revigorante e depressivo. Por questões pessoais, fiquei com a característica revigorante do filme, por isso, ao invés de lhes passar uma sinopse, resolvi contar quais foram as lições de A Sociedade dos Poetas Mortos (1989) que considerei que valem a pena:

Aproveite o dia:

O Professor Keating, interpretado por Robin Williams, é ex-aluno da Academia Welton (uma escola preparatória para meninos) e utiliza um método de ensino nada ortodoxo que causa certo impacto na vida dos garotos. Em uma de suas primeiras aulas, pede que um dos alunos leia o seguinte poema:

“Apanha os botões de rosas enquanto podes,
O tempo voa,
E esta flor que hoje sorri
Amanhã estará moribunda.”

Ele prossegue apresentando aos seus alunos o famoso lema: CARPE DIEM! Ou seja, aproveite o dia.

Seja dono da sua história.

Em mais uma aula épica, o Sr. Keating pede que seja feita a seguinte leitura:

“Oh eu! Oh vida! das perguntas sempre iguais,
Das infindáveis gerações de infiéis, das cidades cheias de tolos,
De eu mesmo eternamente repreendendo a mim mesmo (pois quem mais tolo do que eu, e quem mais infiel?)
Dos olhos que em vão desejam a luz, de objetos insignificantes, da luta sempre renovada,
Dos pobres resultados de tudo, da multidão laboriosa e sórdida que vejo à minha volta,
Dos anos vazios e inúteis dos que restam, com o que resta de mim entrelaçados,
A pergunta, oh eu! tão triste, ainda insiste – O que vale a pena em tudo isso, Oh eu, Oh vida?
Resposta.
Que você está aqui — que a vida existe e a identidade,
Que a poderosa peça continua e você pode contribuir com um verso.”

Bom, apesar dos pesares, você é o dono da sua vida. Escreva teus versos, recite-os para o mundo, reconheça sua identidade, se aceite!
Qual teu verso?

Enxergar com os outros olhos.

Na sala de aula, Sr. Keating sobe na mesa com a intenção de fazer os alunos perceberem que não é preciso ir muito longe para enxergar as coisas de outra maneira e ter pontos de vista diferentes a respeito da mesma coisa. Um gesto simples para dizer o quanto é essencial e possível ver além.

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Não existem fórmulas para se entender as belezas da vida.

Dispensem as fórmulas! Nem tudo precisa de conceito ou explicação.

Seja você mesmo.

Certa aula, o professor Keating pede que os alunos caminhem pelo pátio e observem suas diferenças. Com isso, ele lhes explicou a importância de se ser quem você é. Apenas “ande no seu ritmo”, ainda que digam que suas ideias e crenças são erradas, seja convicto sobre elas.

Não seja um acomodado.

Não se acomode com as situações rotineiras da vida.  Atreva-se, sempre que possível. E digo que, essa ultima lição acolhi como desafio para a atual fase da minha vida.

Anotem nos seus respectivos diários: o filme esta disponível no Netflix.

😉


Uma ótima vida!
Valeu. :*

Sobre talentos

QUAL É O SEU TALENTO?
Parece o nome de um programa de calouros, mas não, é uma reflexão nada séria a respeito da vida.

Sou aquele tipo de pessoa que não tem talento nenhum. Nunca consegui aprender a costurar, fazer artesanato, bordado, maquiar, fazer escova no cabelo ou cozinhar maravilhosamente bem.  Devido ao meu desastre, todo e qualquer trabalho manual é a personificação do fracasso.

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Para provar que não tenho dom manual, fiz esse desenho de um leão muito bravo na selva.

Todavia, enquanto estou aqui à procura do meu talento ou pensando na falta dele, existem milhões de pessoas talentosas no mundo que não sabem o dom que têm. Escrevendo isso, lembrei-me de certa madrugada em que depois do bar, eu e uns amigos paramos para comer um cachorro quente na rua. Enquanto esperávamos o lanche ficar pronto, se aproximou de nós um andarilho que começou a conversar. Conversa vai, conversa vem, o andarilho disse que era poeta e conhecia muita poesia. Óbvio que foi subestimado por todos que estavam ali. Foi pedido então, para que recitasse um poema (já não lembro de qual autor), e para surpresa da geral, ele recitou perfeita e lindamente! E mais, recitou também uns poemas de autoria própria e que eram simplesmente incríveis. Agora você começa a pensar: Será possível isso? Será! Óbvio que será. Talvez o estilo de vida daquele andarilho, por escolha ou por necessidade, faça com que o seu talento seja sequer observado pelos outros. Mas ele se apresentar como poeta naquela noite mostrou que ele reconhece que sabe fazer algo bem! Eis que, dentro de outra realidade, vejo aquele colega desempregado dono de uma criatividade incrível. Ele sabe cozinhar, bordar, pintar e costurar. Tem telas, máquina de costura, um curso de graduação nas costas, contatos e roupas limpas. Porém, prefere esconder tudo o que sabe embaixo de reclamações e não enxerga suas próprias capacidades. Se eu pudesse ser Deus, despertaria na mente de cada um o reconhecimento dos seus próprios talentos. Imagina que louco aquele cara engravatado do banco dançando ballet? (Talvez ele saiba fazer isso).

Ou seja, independente da situação atual em que vive o indivíduo, nada tira dele a capacidade de oferecer algo de bom para o mundo se ele reconhece que pode fazer isso. Oportunidades foram feitas para serem agarradas e quando a oportunidade está nas suas próprias mãos ou mente, melhor ainda. Já parou pra pensar nisso? Sobre qual é seu talento e se você está se auto boicotando por receio ou comodismo?

Entendem o que quero dizer?! Espero que sim. Não tenho talento pra expressão.


Uma ótima vida!
Valeu. :*

Medianeras

A imagem que coloquei hoje ao fundo do blog é uma cena do filme argentino Medianeras: Buenos Aires na Era do Amor Digital.  A obra do diretor Gustavo Taretto recebeu os prêmios de melhor filme estrangeiro e melhor diretor no Festival de Gramado de 2011.

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O filme é a ideia real de que a arte imita a vida. Quando assisti, fiquei um tempo olhando para a TV tentando engolir a realidade em que vivemos. Medianeras é um drama moderno que aponta a dificuldade em se apaixonar nessa era tecnológica e, como diria o sociólogo Zygmunt Bauman, de amores líquidos. Afinal, como encontrar o amor da sua vida em uma cidade com 2.890.151 habitantes e quando boa parte das pessoas vive atrás de uma tela de computador?

Medianeras mostra que, apesar de ser uma saga dura (no maior estilo “Onde está o Wally?”) é sim, possível!

A história do filme é narrada pelos dois personagens principais: Martín e Mariana. Martin é um web designer em processo de recuperação de uma fobia. Por isso, pouco a pouco vai saindo do isolamento do seu apartamento e da vida virtual. Mariana é uma bagunça! Ela acabou de sair de um relacionamento longo e, assim como Martín, começa a sair do refúgio do seu apartamento. Durante a narrativa, eles contam a rotina dos seus dias, seus relacionamentos fracassados e sua solidão. Até, por fim, se encontrarem.

É um filme bonito e simples. Possui uma fotografia linda da cidade que faz você ter vontade de olhar pra cima quando anda pelas ruas, ou quem sabe para os lados. Afinal, o seu amor pode estar sendo perdido em meio a prédios, cabos de fibras ópticas e vitrines.

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Pra quem ainda não assistiu, o filme está disponível no Youtube e no Netflix.

Pra finalizar, uma informação inútil, porém interessante. Sabe o que é medianera na Argentina? As chamadas ~paredes medianeras~ são as paredes laterais de um prédio, onde não se podem abrir janelas. 😦


Uma ótima vida!
Valeu. :*

Sopa de versos – Reinventando Drummond.

Já pensou em juntar versos aleatórios de poemas e ver qual seria o resultado? Com essa ideia (e tempo ocioso), resolvi fazer o que denominei de ~sopa de versos~. Como ingrediente principal utilizei poemas famosos do Carlos Drummond de Andrade. Mas se você não tiver Drummond, pode substituir por Fernando Pessoa, por exemplo.
E eis que surge um novo poema. Façam em casa, a experiência é legal!

“Mundo mundo vasto mundo
Depois de tantos combates
Provisoriamente não cantaremos o amor
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.

Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,
Depois morreremos de medo
e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas
Para renascer, eu sei, numa fictícia primavera.

Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
essa total explicação da vida,
esse nexo primeiro e singular,
ninguém a rouba mais de mim.”

(Os versos foram tirados das seguintes obras: Poema de Sete Faces, Poema da Purificação, Congresso Internacional do Medo, Para Sempre, Tarde de Maio, A Máquina do Mundo e Ausência).


Uma ótima vida!
Valeu. :*

Feliz dia do poeta e da poetisa! :)

Não existe nada mais poético do que o viver. A vida é um emaranhado de pequenos versos. Exprime exatamente os amores intensos, os perdidos e os não vividos. Diz sobre a amizade que foi, que renasce ou que já não é. Fala sobre a sua saudade, sua solidão, sobre comer a sobremesa antes do almoço, sobre a ressaca no dia seguinte, sobre dar e receber, sobre mandar se foder, sobre permitir e censurar. Diz sobre a lua que foi ao cinema, da casa muito engraçada, do vasto mundo, do passarinho, da cidade, do José, da Raimunda e da vaidade. Fala sobre os fracassos, os nossos e do vizinho, do anonimato, da imperfeição humana e daquela eterna sensação de se perder mil vezes só pra se encontrar de novo.

Deixo aqui, aos que se perderam e aos imperfeitos O Poema em Linha Reta de Fernando Pessoa (Álvaro de Campos)

“Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo.
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado
[sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe — todos eles príncipes — na vida…

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos — mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.”

(Rio de Janeiro, 1972).

*Se a poesia está em todo lugar, pode ser considerado poeta quem faz dos olhos caneta e da mente papel?

Se sim, prazer, poeta.

🙂


Uma ótima vida!
Valeu :*

Sobre “Beleza Americana” e as belezas da vida!

No meio de uma rotina tumultuada, me deparo com belezas únicas que conseguem tomar o meu tempo. Feliz ou infelizmente, tenho o hábito de refletir sobre tudo o que me toca. Especialmente hoje, perdi alguns minutos de vida lembrando duas cenas do filme Beleza Americana (1999).

A primeira delas é quando o personagem Rick (um adolescente que gosta de ver a vida pelas lentes de uma câmera) mostra à Jane (sua vizinha e namorada) o que ele considera ser a coisa mais bonita que já viu na sua vida. O personagem fala sobre um mundo de detalhes que não percebemos e sobre a beleza que deixamos escapar.

A segunda cena se passa antes do pai de Jane ser assassinado (nada pior do que dizer que o protagonista morre no final, desculpa). Lester sofre de uma crise de meia idade e, no momento da morte, vê a vida passar em sua memória como um filme.

é clichê essa historia de tudo ~passar como um filme~, mas é interessante ir mais fundo sobre isso. Se somos moldados pelas nossas experiências, é justo e natural lembrarmos em detalhes tudo o que nos trouxe até aqui e como nos transformamos em quem somos hoje. Massss, é meio óbvio que na hora da morte ninguém vai pensar: “meu Deus, preciso criar meu próprio filminho mental”. Portanto, devemos manter isso em mente em vida! Apreciar os que estão ao nosso lado e nunca deixar de reconhecer e questionar as escolhas que fizemos, principalmente se chegamos a perceber que talvez essas escolhas não sejam tão boas assim.

Beleza Americana, além de satirizar o estilo de vida da “família tradicional americana”, desperta reflexões acerca de desejos humanos e liberdade. Parafraseando Mario Quintana, a vida é tão bela que chega a dar medo, ela é nova e anda nua – vestida apenas com o teu desejo!

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Apesar do spoiler durante meu devaneio, vale a dica para quem ainda não assistiu a obra! 🙂


Uma ótima vida!
Valeu :*