Crime e Castigo (Resenha)

Crime e Castigo
Fiódor Dostoiévski
Publicado em 1866

A primeira resenha (que não vale nota rs) da minha vida. Escolhi esse livro pelo modo como ele mexeu comigo quando li. Vale lembrar que as interpretações de qualquer obra são muito subjetivas, ok?! Então, vem nessa viagem comigo. 🙂 Se quiser trilha sonora para essa leitura, clique aqui!

O romance conta a história de um jovem estudante, Rodion Românovitch Raskólnikov. Pobre e com poucos recursos para sustento, Raskólnikov perambula pelas ruas de São Petersburgo desesperado e em constante angústia, buscando um sentido para a vida. Diante da miséria e insanidade que esta lhe causou, Raskólnikov planeja e assassina friamente uma velha usurária (“[…] Uma velha estúpida, imbecil, inútil, má e doente, que não é útil a ninguém e que até, pelo contrário, a todos prejudica; que nem ela mesma sabe para que vive e que amanhã acabará por morrer fatalmente…”) e a sua irmã, a jovem Lisavieta. Após os assassinatos, Raskólnikov rouba alguns pertences valioso das vítimas, todavia, arrependido pelo que fez não se permite ficar com os objetivos e enterra-os sob uma pedra a fim de descartar evidências. O que torna este crime único é a descrição impecável e repulsiva do planejamento do assassinato e sua execução.

Tendo que se confrontar com suas ações, o estudante justifica o crime à sua consciência através de um artigo escrito e publicado pelo mesmo. Segundo sua teoria, grandes homens, como César e Napoleão (e ele?!), poderiam cometer assassinatos e sair impunes devido a sua autoridade e superioridade intelectual.

Com sinais de depressão e esquizofrenia, os próximos dias do estudante são marcados por muita aflição, medo e delírios. Sua mente parece transitar entre o remorso e o sentimento de grandeza. Ele passa a ser visto pelo leitor como um anti-herói que se pergunta continuamente: como suportar o sentimento de culpa?

O romance muda de cena quando Raskólnikov, apesar de não ser o primeiro suspeito do crime, ganha a atenção de um investigador da polícia, leitor da sua teoria. Neste momento, Raskólnikov se torna um personagem irritante: você o ama e o odeia ao mesmo tempo. Ele se apresenta como um ser humano perturbado e perturbador com sua teoria inatingível, mas com um perfil pecaminoso, que inconscientemente reconhece-o como um pecador e o leva cada vez mais ao desejo de ser pego.

Resultado disso são sua doença e isolamento profundos. Adoecido ele recebe a visita de sua mãe e irmã, Sra. Raskólnikov e Dúnia; uma jovem humilde prestes a se casar com um homem rico, Piotr Pietróvich Lújin, interessado apenas em ter alguém para lhe ser submisso.

Por fim, Raskólnikov escolhe alguém que considera tão pecador quanto ele para confessar o seu crime. Sônia Marmeladova, uma jovem de 16 anos que se prostituía para sustentar a si e sua família.

“E se eu passei tantos dias sofrendo por saber: Napoleão o faria ou não? – então eu já percebia claramente que não sou Napoleão… Eu suportei todo, todo o tormento dessa conversa fiada, Sônia, e desejei arremessá-la toda de cima dos meus ombros: Sônia, eu quis matar sem casuística, matar para mim, só para mim! A esse respeito eu não queria mentir nem a mim mesmo! Não foi para ajudar minha mãe que eu matei – isso é um absurdo! Eu não matei para obter recursos e poder, para me tornar um benfeitor da humanidade. (…) Eu precisava saber de outra coisa, outra coisa me impelia: naquela ocasião eu precisava saber, e saber o quanto antes: eu sou um piolho, como todos, ou um homem? Eu posso ultrapassar ou não!”

Essa fala inquietante de Raskólnikov após a sua confissão do crime, exemplifica a tensão em que vive o personagem: a sua esperança de ser grande e o seu sentimento de culpa – como se um amparasse o outro.

Raskólnikov é o personagem central do enredo que aponta outros personagens únicos. Syidrigailov, um pobre canalha homicida; Porfiri Pietróvitch, o investigador da polícia, astuto e convicto do autor do crime; Razumíkhin, o amigo fiel de Raskólnikov, posterior cuidador de sua mãe e irmã.

O epílogo é um dos pontos altos do romance. As páginas mais cheias de vida de toda a trama. Raskólnikov finalmente alcança o seu limite e reconhece o que cometeu e do que realmente precisa.

149 anos após a sua publicação, Crime e Castigo te leva a refletir sobre a existência de esperança na humanidade e os termos tão usuais e comuns para nós: o que é um crime? O que é ser pecaminoso? Há plenitude na vida?


Uma ótima vida!
Valeu :*

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