Relógio

“O mais feroz dos animais domésticos
é o relógio de parede:
conheço um que já devorou
três gerações da minha família.”

Mario Quintana

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Bluebird -Charles Bukowski

o pássaro azul

há um pássaro azul em meu peito
que quer sair
mas sou duro demais com ele,
eu digo, fique aí, não deixarei que ninguém o veja.
há um pássaro azul em meu peito que
quer sair
mas eu despejo uísque sobre ele e inalo
fumaça de cigarro
e as putas e os atendentes dos bares
e das mercearias
nunca saberão que
ele está
lá dentro.
há um pássaro azul em meu peito
que quer sair
mas sou duro demais com ele,
eu digo,
fique aí,
quer acabar comigo?
(…) há um pássaro azul em meu peito que
quer sair
mas sou bastante esperto, deixo que ele saia
somente em algumas noites
quando todos estão dormindo.
eu digo: sei que você está aí,
então não fique triste.
depois, o coloco de volta em seu lugar,
mas ele ainda canta um pouquinho
lá dentro, não deixo que morra
completamente
e nós dormimos juntos
assim
como nosso pacto secreto
e isto é bom o suficiente para
fazer um homem
chorar,
mas eu não choro,
e você?

(Charles Bukowski – Falecido em 09 de março de 1994)

❤ ❤ ❤

 

 

Sintaxe À Vontade

“A partir de sempre
Toda cura pertence a nós.
Toda resposta e dúvida.
Todo sujeito é livre para conjugar o verbo que quiser,
Todo verbo é livre para ser direto ou indireto.
Nenhum predicado será prejudicado,
Nem tampouco a frase, nem a crase, nem a vírgula e ponto final!
Afinal, a má gramática da vida nos põe entre pausas, entre vírgulas,
E estar entre vírgulas pode ser aposto,
E eu aposto o oposto: que vou cativar a todos
Sendo apenas um sujeito simples.
Um sujeito e sua oração,
Sua pressa, e sua verdade, sua fé,
Que a regência da paz sirva a todos nós.
Cegos ou não,
Que enxerguemos o fato
De termos acessórios para nossa oração.
Separados ou adjuntos, nominais ou não,
Façamos parte do contexto da crônica
E de todas as capas de edição especial.
Sejamos também o anúncio da contra-capa,
Pois ser a capa e ser contra a capa
É a beleza da contradição.
É negar a si mesmo.
E negar a si mesmo é muitas vezes
Encontrar-se com Deus.
Com o teu Deus.”

(Composição: Fernando Anitelli – O Teatro Mágico)

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Cante

“O homem teve um enfarte do coração
E ao invés de “bom dia” dizia “eu te amo”
A vida dele se enfartou e ele preferiu um ataque de lirismo
A vida não é assim tão previsível

Cuidado com o que planta no mundo
Cuidado com o que toca no mundo
Não adianta fingir que não sente
Gente sente tudo!
Gente tem que se envolver
A gente é emoção.
Corremos com as pernas e vamos devagar com o coração

Estamos fugindo de que?
Estamos fingindo pra que?
Pra que tanta proteção?

Guarda chuva, revolver,
Cães de guarda, filtro solar
Muros de tijolos e de pele,
Meu muro cheio de cacos
Ninguém entra no meu jardim
Queria a vida mais doce
Mas os frutos ainda são

E se você trouxer o seu lar
Eu vou cuidar do seu jardim
Pra que buscar em outro lugar?
Se está tudo aqui bem dentro, em mim
Que venham todos os fins, que venham todos os fins
Por que eu sei recomeçar.”

(Composição: Alexandre Nero)

Viver intensamente

Viver intensamente é um dos motivos pelo qual este espaço virtual existe. O que já explica que, neste caso, o viver intensamente não quer dizer que faço tudo o que quero (porque a realidade é longe disso), mas diz respeito ao sentir; ao 8 ou 80 das emoções.
Gosto de viver assim, já que na maioria do tempo, me permito ser inteira. Mas tudo na vida possui os seus prós e contras e enquanto não tenho dinheiro para a análise, escrevo umas bobagens para as coisas ficarem mais leves. O maior contra é de que a tristeza será sempre proporcional a quantidade de alegria – o que pode gerar uma carga de ansiedade e estresse dependendo da situação vivida.  É praticamente impossível guardar as coisas apenas para si, palavras e sentimentos são constantemente vomitados em lugares e pessoas. O maior pró, por sua vez, é de que pequenos momentos como comer aquele bolo favorito, beber uma cerveja, ir à um show ou assistir a um filme  tornam-se coisas extremamente prazerosas, ou seja, a razão para se estar vivo não é de grande ambição. E do outro lado da moeda, um emprego perdido, uma frustração amorosa ou uma data esquecida transformam-se em um show de drama à parte. E ainda tem um outro ponto importante, a capacidade de sonhar, mas sonhar muito!  E ai, a vida segue nesse eterno super, mega, exagerado(!) ritmo de emoções. Nem tudo o que é caos é necessariamente mau.  Lembrei-me de um texto maravilhoso que li no Obvious, em que a autora se utiliza do termo “sentimento oceânico” para expressar exatamente isso que estou tentando dizer. Ela diz que “oceânico é o sentimento capaz de fazer caber em si a imensidão do mundo.” A autora ainda reitera que há dias em que há em nós sentimentos mas sem oceanos: dias engolidos pela rotina e sem motivação. E, por outro lado, há também oceanos sem sentimentos: situações vividas sem emoção por qualquer motivo que seja. E, por fim, a conclusão é de que cada um experimenta as coisas ao seu modo. Se você tem todos os oceanos do mundo dentro de si quando olha pra pessoa amada, tudo bem. Mas se você não tem 1 litro de água do mar, tudo bem também. A sua conexão com o mundo e com as pessoas a sua volta é só sua. O importante é nunca desistir de buscar o equilíbrio entre a euforia e a preguiça aguda.
Já dizia Fernando Pessoa:
“Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive.”

A felicidade é só questão de ser.

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e/ do alto de uma janela/ também posso me vestir de preto/ para apitar o final. (Poesia de André Dahmer do livro “A coragem do Primeiro Pássaro”).

Texto completo – sentimento oceânico

🙂 ❤

O impacto de um livro

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A obra do mexicano Jorge Méndez Blake está rolando pelas páginas de literatura das redes sociais.
Jorge Méndez Blake manipula a literatura clássica. Ele conecta literatura e artes visuais por meio da criação de obras tridimensionais, onde combina objetos naturais e fabricados, além do uso de desenhos e intervenções ambientais.

Para saber mais sobre o artista, acesse seu site: http://www.mendezblake.com/

🙂


Uma ótima vida!
Valeu. :*

Loucuras de um gênio – The Devil and Daniel Johnston

Oi, tudo bem?

Loucuras de Gênio (The Devil and Daniel Johnston) é um documentário angustiante que mostra a trajetória do cantor Daniel Johnston. Então, segue breve resumo e minhas impressões pessoais.

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Daniel Johnston é uma figura completa – cantor, compositor, músico e artista. 🙂
Durante sua juventude, recebeu o diagnóstico de transtorno bipolar. O que tornou sua vivência uma batalha e transformou a vida do gênio de cabeça para baixo.

Durante a infância, Daniel era uma criança promissora e com inteligência acima da média. Na adolescência, por sua vez, começou a demonstrar os primeiros sinais de uma saúde mental debilitada. Ele possuía a certeza de que seria famoso e de que era um ótimo artista, sua auto confiança era plena!  Gravava a si mesmo recriando cenas do cotidiano com muito bom humor, fazia desenhos sobre os seus sentimentos, gravava todos os seus pensamentos e adorava tocar piano.

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Conforme passaram-se os anos, após tentativas de fazer Daniel se encaixar em uma universidade, seus pais o mandaram para morar com um irmão. Feita a mudança, Daniel não apenas conseguiu um emprego no McDonald’s, como também, fez da garagem de seu irmão um estúdio improvisado – onde gravou seu primeiro álbum, o “Hi, How Are You?”.
Foi distribuindo suas fitas de mão em mão, que Daniel finalmente realizou seu sonho: apareceu na MTV, tornou-se famoso e um cantor promissor.

E então, começaram os delírios. Daniel acreditava que era um enviado de Deus e que tinha que combater o mal a todo custo. No auge de suas crises, Daniel falava apenas sobre assuntos religiosos e demoníacos.
Depois de muita crise foi medicado, preso e internado. Nunca deve ter sido fácil ser Daniel Johnston. Suas músicas são verdadeiras e expressam sentimentos reais, de amores não correspondidos a monstros mentais. Daniel é apenas verdadeiro, apesar de tudo.
Vale a pena ver o documentário que tem na Netflix e conhecer a obra desse ilustre homem. Fiquei surpresa com o quanto ele foi importante para a cena underground na época e trabalhou ao lado de grandes bandas (Sonic Youth, Velvet Underground).
Caracterizo o filme de sua vida como triste e pesado. Daniel matava um leão por dia, sim! E muitas vezes, é possível sentir a sua dor e principalmente, a dor de sua família.
Devido aos seus problemas, Daniel entrou em declínio e a venda de sua obra não resistiu, o que o tornou um cantor “pouco” conhecido. Uma grande pena!!

Inclusive, o meu primeiro manager, vive sua vida em busca de fazer com que TODAS as pessoas conheçam Daniel Johnston. Bora conhecer?

Ouça aqui no Spotify

Ou no YouTube!

❤ Coração dói.


Uma ótima vida.
Valeu! :*

Eu te dedico

Oi, tudo bem?

Você já ganhou um livro com uma dedicatória linda ou ao presentear alguém com um livro ficou horas pensando o que escrever na dedicatória? Então, o Eu te dedico, é um projeto incrível que pode ser do seu interesse; no site há fotos de dedicatórias escritas em livros. Segundo o projeto, “um livro com dedicatória é um livro com duas histórias.” 🙂

Vale a pena conferir e passar um tempo no site se inspirando.

http://eutededico.com.br/

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Uma ótima vida!
Valeu. :*

Sociedade dos Poetas Mortos

Demorei muito tempo para ver esse filme! E que filme! Uma ambivalência altamente presente: revigorante e depressivo. Por questões pessoais, fiquei com a característica revigorante do filme, por isso, ao invés de lhes passar uma sinopse, resolvi contar quais foram as lições de A Sociedade dos Poetas Mortos (1989) que considerei que valem a pena:

Aproveite o dia:

O Professor Keating, interpretado por Robin Williams, é ex-aluno da Academia Welton (uma escola preparatória para meninos) e utiliza um método de ensino nada ortodoxo que causa certo impacto na vida dos garotos. Em uma de suas primeiras aulas, pede que um dos alunos leia o seguinte poema:

“Apanha os botões de rosas enquanto podes,
O tempo voa,
E esta flor que hoje sorri
Amanhã estará moribunda.”

Ele prossegue apresentando aos seus alunos o famoso lema: CARPE DIEM! Ou seja, aproveite o dia.

Seja dono da sua história.

Em mais uma aula épica, o Sr. Keating pede que seja feita a seguinte leitura:

“Oh eu! Oh vida! das perguntas sempre iguais,
Das infindáveis gerações de infiéis, das cidades cheias de tolos,
De eu mesmo eternamente repreendendo a mim mesmo (pois quem mais tolo do que eu, e quem mais infiel?)
Dos olhos que em vão desejam a luz, de objetos insignificantes, da luta sempre renovada,
Dos pobres resultados de tudo, da multidão laboriosa e sórdida que vejo à minha volta,
Dos anos vazios e inúteis dos que restam, com o que resta de mim entrelaçados,
A pergunta, oh eu! tão triste, ainda insiste – O que vale a pena em tudo isso, Oh eu, Oh vida?
Resposta.
Que você está aqui — que a vida existe e a identidade,
Que a poderosa peça continua e você pode contribuir com um verso.”

Bom, apesar dos pesares, você é o dono da sua vida. Escreva teus versos, recite-os para o mundo, reconheça sua identidade, se aceite!
Qual teu verso?

Enxergar com os outros olhos.

Na sala de aula, Sr. Keating sobe na mesa com a intenção de fazer os alunos perceberem que não é preciso ir muito longe para enxergar as coisas de outra maneira e ter pontos de vista diferentes a respeito da mesma coisa. Um gesto simples para dizer o quanto é essencial e possível ver além.

5.0.2


Não existem fórmulas para se entender as belezas da vida.

Dispensem as fórmulas! Nem tudo precisa de conceito ou explicação.

Seja você mesmo.

Certa aula, o professor Keating pede que os alunos caminhem pelo pátio e observem suas diferenças. Com isso, ele lhes explicou a importância de se ser quem você é. Apenas “ande no seu ritmo”, ainda que digam que suas ideias e crenças são erradas, seja convicto sobre elas.

Não seja um acomodado.

Não se acomode com as situações rotineiras da vida.  Atreva-se, sempre que possível. E digo que, essa ultima lição acolhi como desafio para a atual fase da minha vida.

Anotem nos seus respectivos diários: o filme esta disponível no Netflix.

😉


Uma ótima vida!
Valeu. :*

Sopa de versos – Reinventando Drummond.

Já pensou em juntar versos aleatórios de poemas e ver qual seria o resultado? Com essa ideia (e tempo ocioso), resolvi fazer o que denominei de ~sopa de versos~. Como ingrediente principal utilizei poemas famosos do Carlos Drummond de Andrade. Mas se você não tiver Drummond, pode substituir por Fernando Pessoa, por exemplo.
E eis que surge um novo poema. Façam em casa, a experiência é legal!

“Mundo mundo vasto mundo
Depois de tantos combates
Provisoriamente não cantaremos o amor
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.

Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,
Depois morreremos de medo
e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas
Para renascer, eu sei, numa fictícia primavera.

Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
essa total explicação da vida,
esse nexo primeiro e singular,
ninguém a rouba mais de mim.”

(Os versos foram tirados das seguintes obras: Poema de Sete Faces, Poema da Purificação, Congresso Internacional do Medo, Para Sempre, Tarde de Maio, A Máquina do Mundo e Ausência).


Uma ótima vida!
Valeu. :*