O Apanhador no Campo de Centeio

Após um bom tempo de jejum, fico feliz em retomar as postagens neste espaço. 🙂

Minha resenha de “O Apanhador no Campo de Centeio”

Livro: O Apanhador no Campo de Centeio
Autor: J. D. Salinger
Ano de publicação: 1951

cms-image-004699984

“Mas a melhor coisa do museu é que nada lá parecia mudar de posição.  Ninguém se mexia.  A gente podia ir lá cem mil vezes, e aquele esquimó ia estar sempre acabando de pescar os dois peixes, os pássaros iam estar ainda a caminho do sul, os veados matando a sede no laguinho, com suas galhadas e suas pernas finas tão bonitinhas, e a índia de peito de fora ainda ia estar tecendo o mesmo cobertor.  Ninguém seria diferente.  A única coisa diferente seríamos nós.  Não que a gente tivesse envelhecido nem nada.  Não era bem isso.  A gente estaria diferente, só isso.  Podia estar metido num sobretudo, dessa vez (…)  Ou então a gente tinha ouvido o pai e a mãe da gente terem a maior briga no banheiro.  Ou então a gente tinha acabado de passar, na rua, por uma poça d’água com um arco-íris de gasolina dentro dela. Quer dizer, a gente estaria diferente, de um jeito qualquer – não sei explicar direito, mas o negócio é assim mesmo.  E, mesmo que eu soubesse, acho que não ia ter muita vontade de explicar”(pg. 51)

Com esse trecho lindo, inicio a resenha do O Apanhador no Campo de Centeio, deixando claro que, diferente do que eu pensava antes de iniciar a leitura do livro, ele não se trata de uma história de fazenda, agricultura ou colheita. Muito pelo contrário. O Apanhador no Campo de Centeio tem como cenário uma das maiores metrópoles do mundo: a cidade de Nova York. Mas não a Nova York de hoje que costumamos ver nos filmes e seriados atuais. Trata-se da vida urbana dos anos 50; a vida urbana pós-guerra e com seus princípios ainda conservadores.

Quebrando muitos paradigmas da época, o autor escreve O Apanhador no Campo de Centeio e causa um grande alvoroço na população da época. Os motivos do choque?

  1. O personagem principal do livro é um adolescente. Todavia, adolescentes nos anos 50 não eram personagens principais em nada. Eram se quer vistos. Foi a partir da metade dos anos 50 e início dos 60 que a juventude passou a ser tratada como temática e percebida pela população. A esse fator, incluímos a explosão do rock n roll e de ícones da cultura da época, como por exemplo, James Dean e Elvis Presley.
  2. Não contente em ter um adolescente como narrador de sua própria jornada, o autor escreveu de tal modo que fosse exatamente a maneira como o adolescente falava, com simplicidade na linguagem e a escrita repleta de gírias, fugindo do coloquial.
  3. Durante a narrativa, o personagem aborda temáticas tais como namoro, sexo, puberdade, etc.

Essa mistura de ~escândalos~ transformaram O Apanhador no Campo de Centeio em um dos livros mais importantes e aclamados da literatura americana.

A história é narrada por Holden Caulfield, um jovem de 17 anos, de uma família de classe média alta que pela “milésima vez” é expulso do colégio. Porém, não seria certo dizer que Holden é um rebelde sem causa. Apesar do ódio que sente por tudo e todos, suas expulsões frequentes e sua dificuldade em fazer e manter amigos, Holden é apenas um adolescente que se recusa a crescer.

Ele busca seus modelos, mesmo não sabendo ao certo o que deseja; o irmão mais velho, antigos professores, um ex-colega de escola, são pessoas de quem Holden retira aprendizados, ainda que não perceba. Ser adolescente é se moldar, certo?! Todos já fomos adolescentes e sabemos como é difícil tal fase. Uma vez que, somos grandes demais para sermos crianças e novos demais para sermos adultos por completo. E é nessa transição angustiante emocional, física e psicologicamente em que Holden se encontra. Com sua síndrome de Peter Pan, Holden recusa-se a se render ao sistema acadêmico, as regras familiares, as amizades vazias e aos modismos momentâneos.

E para exemplificar seu processo, Holden utiliza, genialmente, a metáfora do campo de Centeio e do seu grande abismo.  O que ele não quer para si, não deseja para mais ninguém. Acredita que o mundo dos adultos seja repleto de hipocrisia, inconsistência e pessoas ainda mais perdidas (ele tem razão, né?!)

“Fico imaginando uma porção de garotinhos brincando de alguma coisa num baita campo de centeio. Milhares de garotinhos, e ninguém por perto – quer dizer, ninguém grande – a não ser eu. E eu fico na beirada de um precipício maluco. Sabe o quê eu tenho de fazer? Tenho que agarrar todo mundo que vai cair no abismo. Quer dizer, se um deles começa a correr sem saber onde está indo, eu tenho que aparecer de algum canto e agarrar o garoto. Só isso que eu ia fazer o dia todo. Ia ser só o apanhador no campo de centeio. Sei que é maluquice, mas é a única coisa que eu queria fazer. Sei que é maluquice.”

Quando se termina a leitura do livro, logo se pensa que Holden tem muito que aprender e viver. Mas, bem no fundo, a gente deseja que tudo aconteça na hora e momentos certos. Sem pressões, sem precocidade… para que, apesar de muitas vezes triste, ele desfrute da sua juventude.

O Apanhador no Campo de Centeio mudou a minha vida.

O principal motivo é a identificação que Holden trás a tona. A sua marginalidade é tão visível, que desperta a empatia e aquela sensação de “Holden, eu te entendo.” Assim, o grande abismo passa a fazer tanto sentido que explica o porque da influência do livro nas contraculturas das décadas posteriores. Holden é um herói por essência e o seu desejo de “salvar” os seus semelhantes do grande abismo é uma das ideias mais lindas que já experimentei conhecer. Grata por essa leitura!

Além disso, a obra de J. D. Salinger, foi referência para outros artistas.
Por exemplo, a banda Green Day gravou a música “Who Wroten Holden Caulfield?”. E o Guns N’ Roses, a música “Catcher In The Rye”.

“He makes a plan to take a stand but always ends up sitting.
Someone help him up or he’s gonna end up quitting…”


Uma ótima vida.
Valeu! :*

 

Anúncios

Mad Men

Oi, tudo bem?

Mad Men é uma série original HBO da qual ouvi falar durante muito tempo e que  recentemente resolvi conhecer. No momento, estou na quarta temporada e amando loucamente, é realmente muito bom!

image.jpg.png

A história se passa nos Estados Unidos dos anos 60. Sterling Cooper é uma agência de publicidade que possui um diferencial: o talentoso Diretor de Criação Donald Draper.
Don Draper é o cara central de toda a série e sua vida é um verdadeiro sonho americano: vida profissional promissora, dinheiro e uma linda família. Apesar ter tudo em suas mãos e ser invejado por isso, Don está sempre em busca de mais, isso faz com que ele leve uma vida dupla e cheia de segredos sobre o seu passado.

À parte Don, na segunda temporada, os personagens começam a dar grandes voltas em sua vida e a trama fica ainda mais legal. Acho que o mais interessante de acompanhar uma serie é perceber as mudanças que ocorrem com os personagens conforme as coisas acontecem.

Além das historias de vida dos envolvidos, nota-se a rotina de trabalho do mundo dos negócios e da propaganda; é curioso o modo como os publicitários pensam e criam as propagandas e o modo como a mesma evoluiu: da revista para os rádios e dos rádios para a TV. Observa-se a presença de grande competitividade e ambição tanto na vida profissional quanto pessoal dos personagens. O anseio por status é a prioridade de alguns. O escritório e a vida social parecem uma grande selva: homens bem vestidos que não controlam seus instintos e vivem em uma lei da Seleção Natural sem fim, independente de a disputa ser um novo cliente ou uma nova mulher.

mad-men-01.jpg

Outro ponto que destaquei da série são algumas questões sociais e políticas que  começaram a entrar em pauta nos EUA nos anos 60. A luta dos negros por direitos civis, a mulher no mercado de trabalho, a submissão feminina e o aumento da criminalidade e violência, por exemplo.

E claro que além da tragédia, tem as festas, os casos amorosos, os jantares de negócios, os vestidos e uma trilha sonora delicia! Só vejo motivos positivos para o mundo inteiro ver essa série.

Ao todo, a série conta com 7 temporadas, sendo que a última é dividida em duas partes. Estou louca pra terminar de ver.

Não te convenci? Então olha esse vídeo:

🙂


Uma ótima vida!
Valeu. :*

Gilbert Grape

Filme: Gilbert Grape – Aprendiz de Sonhador
Diretor: Lasse Hallström
Ano: 1994

Oi, tudo bem?

20080330.jpg

A história do jovem Gilbert Grape acontece na pequena cidade de Endora. Ali, Gilbert nasceu, foi criado e viveu toda a sua adolescência. Desde que seu pai suicidou-se, Gilbert trabalha em um mercadinho da cidade para sustentar sua família: a mãe depressiva e obesa mórbida, as duas irmãs que precisam cuidar da mãe e o caçula Arnie, um garoto de 17 anos com problemas mentais e que fica aos cuidados de Gilbert. As coisas começam a mudar quando Gilbert conhece Ellen, que está de passagem pela cidade. Ele, que até o momento possuía um caso com uma mulher casada, apaixona-se por Ellen e os dois passam ótimos momentos juntos até o dia em que ela precisa partir.

Finalmente assisti o filme que rendeu a primeira indicação ao Oscar para Leonardo DiCaprio – e a sua atuação é realmente muito boa! Arnie é ingênuo e interpreta as situações a sua volta como uma grande piada. Ele é muito amado e protegido pela mãe, que o chama de “milagre”, já que há 17 anos é desacreditado pelos médicos.

Apesar de todas as dificuldades que a família enfrenta e as brigas constantes, o lar é cheio de preocupação e afeto demonstrado pelas diversas situações de cuidado entre os familiares.

Assistindo ao filme, existem momentos em que chega-se a ter raiva do pobre Gilbert de tão boa pessoa que ele é. Eu poderia fazer uma lista com as suas qualidades. Ele é um personagem de uma empatia tamanha. Devido aos problemas da vida, Gilbert desenvolveu o costume de colocar as necessidades alheias sempre à frente das suas; não suporta saber que as pessoas machucam seu irmão indefeso ou ver que sua mãe virou piada na cidade.

Ele preocupa-se em como os outros irão receber as suas palavras e atitudes. Toda a energia de Grape é destinada apenas ao outro. Porém, há um momento em que ele se desgasta e as consequências desse desgaste são significativas para Grape que conclui que por mais que as vezes queira pensar um pouco mais em si, ele ama a sua família acima de qualquer coisa – talvez mais que a ele próprio.

WhatsEatingGilbertGrape19934_zpsa68a7cfb.jpg

Apesar do filme ser antigo, podemos imaginar quantos “Gilbert Grapes” estão por aí, espalhados pelo mundo. Esquecendo-se de si para doar-se ao semelhante. Encontrando refugo apenas nos seus sonhos e nos poucos amigos que tem. Talvez eu tenha viajado demais em cima do personagem e da sua história. Mas achei ela sensível e de alguma forma capaz de levantar algumas perguntas a respeito de à quantas anda a minha própria capacidade de colocar-se, o mínimo que seja, no lugar do outro. E claro, nunca desistir de acreditar que as coisas irão melhorar.

Enfim, poderia resumir tudo isso em uma frase só: Gilbert Grape e sua luz própria apenas acontecem. 🙂

Espero que gostem.


Uma ótima vida!
Valeu. :*

Mesmo se nada der certo (Begin Again)

Mesmo Se Nada Der Certo
Diretor: John Carney
Ano: 2014

Oi, tudo bem?

Quando coloquei esse filme pra assistir eu jurava que seria uma comédia romântica meio cult, meio hipster. Se fosse eu não iria achar ruim. Mas confesso que me surpreendi com tudo!

Keira-Knightley-Mark-Ruffalo-Begin-Again-Mesmo-Se-Nada-Der-Certo-3-600x337.jpg

O filme se passa na cidade de Nova York, onde vivem o personagem de Mark Ruffalo, o Dan.
Dan é um produtor musical falido, com problemas emocionais e familiares. Em um dia de merda, Dan entra em um bar e então depara-se com Gretta (Keira Knightley). Uma cantora e compositora que, depois de um dia de merda, estava no bar com um amigo que a convida para subir ao palco e cantar uma de suas músicas.
E ai, a magia acontece (rs). Dan vê em Gretta um potencial incrível e a convence de que pode produzi-la. Dadas as péssimas circunstâncias profissionais em que Dan se encontra, ele precisa gravar o disco com custo zero. Caça os músicos e, no meio de Nova York, gravam o disco de Gretta.

585618.jpg-r_640_600-b_1_D6D6D6-f_jpg-q_x-xxyxx

Durante a gravação do disco, Gretta e Dan ajudam um ao outro emocionalmente, mesmo que não o saibam!
Esse é mais um daqueles filmes que possuem uma sensibilidade tamanha! 🙂 Todos os personagens centrais da história são fracassados de alguma forma e isso independe da idade, beleza ou situação financeira do personagem.

E claro que, a trilha sonora é excelente, dada ao fato de ser um filme todo musical.

“E, Deus, nos diga o motivo
De a juventude ser desperdiçada nos jovens
É temporada de caça e esse cordeiro está correndo
Estamos procurando por significado
Mas não somos todos estrelas perdidas
Tentando iluminar o escuro?…”


Uma ótima vida!
Valeu. :*

O menino e o mundo

Oi, tudo bem?
Na semana passada, assisti a animação O Menino e o Mundo, que está sendo exibida gratuitamente em Curitiba.
O Menino e o Mundo é um filme brasileiro, dirigido por Alê Abreu e neste ano, concorre ao Oscar de Melhor Filme de Animação.

12784338_10206156937062784_1433767077_n.jpg

Apesar do desembaraço de seus traços, o filme é mais complexo do que podemos sugerir quando se começa a assistir. Então, vamos lá à minhas impressões pessoais sobre a obra:

Sinopse: A história gira em torno de um menino que sai pelo mundo em busca do seu pai que deixou para trás a casa da família visando um emprego melhor. Na sua saga, o menino depara-se com muitas novidades: pessoas, máquinas, a cidade grande, a desigualdade social, o consumo, etc.

A fotografia e o desenho

A particularidade de O Menino e o Mundo quando se trata de seus aspectos visuais é a simplicidade.
Há a presença de desenhos com traços fortes feitos com giz de cera, lápis de cor, colagens e pinturas. Nos dá a impressão de que tudo aquilo não passa de uma brincadeira de criança. Com cenários imaginários que vem e vão, alguns detalhes são de encher os olhos.
Um exemplo é a música; não contente em apenas nos fazer ouvir a música doce da flauta do pai do menino, o autor achou digno transformá-la em algo visível, por meio de partículas laranjas que ele guarda em um potinho <3. Foi a primeira vez em que VI a música e achei isso de uma sensibilidade tamanha.

decek.in.svet3

maxresdefault

Os sons

Outra técnica usada para mexer com a imaginação de quem assiste é a ausência de diálogos. São poucos os momentos do filme em que ouvimos o que “parece ser uma conversa.” A princípio, aquilo são apenas sons aleatórios imitando a voz do personagem, porém, é o nosso português – só que de trás para frente.

Os sons e os ruídos dão uma vida fantástica ao longa e também foram criados especialmente para ele. O diferencial é que os animais, automóveis, máquinas, etc., foram copiados do mundo real e somados à distorções para que representassem exatamente como o menino estaria ouvindo as suas descobertas (o por isso da música ser visível).
Além disso, a trilha sonora possui uma certa reflexão ao cunho social. Ela representa muitas coisas: a alegria de um povo, a opressão, tristeza, fome, saudade, etc…O rapper Emicida interpreta a música tema do filme, “Aos Olhos de Uma Criança”, que pode ser ouvida aqui:

A mensagem

Em sua jornada de descobrimento, o menino, morador de uma casa simples do interior, encontra seu pai em uma fazenda destinada ao plantio de algodão. Ali, depara-se com a primeira cena de desigualdade: mão de obra barata e oprimida e um fazendeiro rico e explorador.
A exploração vista no campo é repetida quando o menino chega às indústrias. Primeiro, trabalhadores cansados e em seguida, a substituição destes por máquinas e o descarte do proletário.
À parte de toda essa descoberta, o menino conhece famílias pobres enquanto outras se banham no luxo e a força do consumismo enquanto as florestas somem! Tecidos, roupas, sapatos, rostos famosos e tudo o mais que estamos acostumados, ilustram a desigualdade social e sensibilizam o espectador à uma realidade que, devido ao triste costume, nos passa despercebido.

141015-MeninoMundo2.jpg

menino_mundo_07.jpg

Aos olhos de uma criança, tudo tem um pouco de vida diferente. Até lembrei de Saint-Exupéry, de que só se vê em com o coração. 🙂

Todavia, devido ao estímulo de imaginação, O Menino e o Mundo pode ainda despertar outras reflexões em adultos e crianças, cada qual com sua razão e nível. E com certeza, vale muito a pena conferir!

Estou na torcida pelo Oscar.

Assista ao trailer: https://www.youtube.com/watch?v=l7x8oi_1GBo

Espero que gostem!


Uma ótima vida!
Valeu. :*

 

 

Loucuras de um gênio – The Devil and Daniel Johnston

Oi, tudo bem?

Loucuras de Gênio (The Devil and Daniel Johnston) é um documentário angustiante que mostra a trajetória do cantor Daniel Johnston. Então, segue breve resumo e minhas impressões pessoais.

images.jpg

Daniel Johnston é uma figura completa – cantor, compositor, músico e artista. 🙂
Durante sua juventude, recebeu o diagnóstico de transtorno bipolar. O que tornou sua vivência uma batalha e transformou a vida do gênio de cabeça para baixo.

Durante a infância, Daniel era uma criança promissora e com inteligência acima da média. Na adolescência, por sua vez, começou a demonstrar os primeiros sinais de uma saúde mental debilitada. Ele possuía a certeza de que seria famoso e de que era um ótimo artista, sua auto confiança era plena!  Gravava a si mesmo recriando cenas do cotidiano com muito bom humor, fazia desenhos sobre os seus sentimentos, gravava todos os seus pensamentos e adorava tocar piano.

daniel-johnston-5

Conforme passaram-se os anos, após tentativas de fazer Daniel se encaixar em uma universidade, seus pais o mandaram para morar com um irmão. Feita a mudança, Daniel não apenas conseguiu um emprego no McDonald’s, como também, fez da garagem de seu irmão um estúdio improvisado – onde gravou seu primeiro álbum, o “Hi, How Are You?”.
Foi distribuindo suas fitas de mão em mão, que Daniel finalmente realizou seu sonho: apareceu na MTV, tornou-se famoso e um cantor promissor.

E então, começaram os delírios. Daniel acreditava que era um enviado de Deus e que tinha que combater o mal a todo custo. No auge de suas crises, Daniel falava apenas sobre assuntos religiosos e demoníacos.
Depois de muita crise foi medicado, preso e internado. Nunca deve ter sido fácil ser Daniel Johnston. Suas músicas são verdadeiras e expressam sentimentos reais, de amores não correspondidos a monstros mentais. Daniel é apenas verdadeiro, apesar de tudo.
Vale a pena ver o documentário que tem na Netflix e conhecer a obra desse ilustre homem. Fiquei surpresa com o quanto ele foi importante para a cena underground na época e trabalhou ao lado de grandes bandas (Sonic Youth, Velvet Underground).
Caracterizo o filme de sua vida como triste e pesado. Daniel matava um leão por dia, sim! E muitas vezes, é possível sentir a sua dor e principalmente, a dor de sua família.
Devido aos seus problemas, Daniel entrou em declínio e a venda de sua obra não resistiu, o que o tornou um cantor “pouco” conhecido. Uma grande pena!!

Inclusive, o meu primeiro manager, vive sua vida em busca de fazer com que TODAS as pessoas conheçam Daniel Johnston. Bora conhecer?

Ouça aqui no Spotify

Ou no YouTube!

❤ Coração dói.


Uma ótima vida.
Valeu! :*

O Grande Gatsby

Olá! 🙂
Vim até aqui para fazer uma resenha curta do segundo livro que li esse ano: o clássico O Grande Gatsby.

índice

O Grande Gatsby foi escrito pelo americano F. Scott Fitzgerald, e é considerado uma obra prima do autor. A obra foi publicada nos anos 20 e tal qual a realidade da época, fala sobre o período da Primeira Guerra Mundial e a juventude pós guerra.

O autor levanta questões como a prosperidade, o luxo, o materialismo sem limites e algumas questões morais.

A história é narrada pelo jovem Nick Carraway, que passa a observar as festas extravagantes na mansão do seu vizinho Jay Gatsby. Certo dia, ele é convidado para uma delas e se inicia assim, uma nova amizade.
No início do livro, Gatsby é um homem muito misterioso. A fonte da sua fortuna é motivo de boatos entre os que frequentam suas festas; alguns dizem que ele é traficante enquanto outros afirmam que Gatsby já matou um homem. Todavia, Gatsby, reservado sobre sua vida pessoal, abre-se com seu amigo Nick e lhe conta sobre seu antigo amor por Daisy, esta é prima de Nick e assim, é revelada a razão da aproximação entre vizinhos: Gatsby  quer se reaproximar da sua amada.
Acontece que passaram-se muitos anos desde que Gatsby e Daisy tiveram sua história de amor. Agora, Daisy é casada com Tom, um antigo atleta, com quem possui uma filha de 4 anos.
Nick atende aos apelos de seu amigo bilionário e prepara um encontro entre Gatsby e Daisy, encontros estes que começam a acontecer com frequência.
E quanto ao marido de Daisy? Tom também tem o seu deslize moral, ele possui uma amante para quem provê casa, comida e roupa lavada.
Em meio a descobertas, explosões emocionais, bebidas e festas, Nick nos conta como a história do Grande Gatsby se desenrola. E o final disso tudo é bem surpreendente! 🙂

A juventude é claramente impactada pela sociedade pós guerra. Jovens adultos loucos, embriagados, festeiros, artistas e fornicadores. Segundo relatos, o autor estaria fazendo uma critica ao famoso “Sonho Americano”.

O livro é curtinho e tem uma escrita bem fácil de ler. Se você for ansiosa (o) como eu, vai sofrer apenas com o fato de demorar pra entender ~qual é~ a do tal do Gatsby.

A obra ganhou uma peça a Broadway e duas adaptações para o cinema (filmes dos quais pretendo ver ainda).

Trailer do filme de 1974:

Trailer do filme de 2013:


Espero que gostem!


Uma ótima vida!
Valeu. :*

 

 

 

Frances Ha

Frances Ha
Diretor: Noah Baumbach
Ano: 2013

Oi, tudo bom? 😀

O que dizer sobre Frances?
A vida de Frances caminha em tempos de crise. Ela é uma jovem linda e extrovertida que saiu da sua cidade em busca do emprego dos sonhos e divide apartamento com sua melhor amiga.
Porém, sua amiga decide que é hora de tentar algo novo e se muda para viver com o namorado. Frances, que apostou todas as fichas na eterna fidelidade de morar com a amiga, sente-se perdida e então, vemos durante o filme, muitas características da atual juventude dos 20 e tantos anos.

maxresdefault

Vi em Frances um medo de crescer e tornar-se uma adulta altamente responsável. Ela, desastradamente, não acompanha o ritmo da sua amiga e de outras pessoas ao seu redor, isso transforma Frances em uma pessoa um pouco infantil, porém sonhadora e que, apesar da imagem de uma mulher forte, eu colocaria uma placa de “cuidado, frágil!”. Por vezes, vejo muito de Frances em mim.

Frances Ha é uma boa aposta para quem procura um filme introspectivo e real ou pra quem está tentando se encaixar em algo no mundo. Além disso, é envolvente ver a sua trajetória e dá curiosidade de saber como ela vai prosseguir a vida.

Sua fotografia é linda e autentica, inclusive, o filme é inteiro em preto e branco.

frances_ha_filmsandpies002

Essa cena é ao som de David Bowie.

Então, se você se deparar com esse filme não fique receosa (o) em ver, tem um tesourinho ali, ok?!


Uma ótima vida!
Valeu. :*

 

Moonrise Kingdom

Moonrise Kingdom
Ano: 2012
Diretor: Wes Anderson

Oi, tudo bem? 🙂

Moonrise Kingdom  é um drama muito engraçadinho sobre crianças que fogem. OK.
Sam, um escoteiro e Suzy, uma leitora ávida, se conhecem e descobrem que tem algo em comum: são pré-adolescentes que se sentem deslocados do lugar em que vivem e das pessoas com quem se relacionam. Por isso, por meio de troca de cartas, planejam sua fuga. São procurados pela família de Suzy, um policial e o chefe escoteiro de Sam.

81Jn7yQSuAL._SL1500_

Durante a busca e com outras novas fugas a trama começa a ganhar forma. Sam e Suzy estão em um momento de descoberta diante da constante crise em que vivem – retratados até com uma certa inocência no filme. Se eu  fosse definir o filme em duas palavras: melancolia doce.
 91o9OrQUMmL._SL1500_
tumblr_o0c95656gH1ukswmao1_500

E a trilha sonora de Moonrise Kingdom é uma tragédia à parte. Ouve só!
Tem o filme na Netflix, assiste lá! :*

Uma ótima vida!
Valeu. :*

 

Relatos Selvagens

Relatos Selvagens
Diretor: Damián Szifron
Ano: 2014

Oi, tudo bem?

Mais um filme argentino sensacional!

relatos-salvajes

Relatos Selvagens é um filme em episódios, ou seja, não possui uma história contínua, mas sim várias pequenas histórias. Apesar de cada relato ser sobre pessoas distintas em contextos totalmente diferentes, eles possuem uma coisa em comum: a divisão tênue entre a civilização e a barbárie.

O filme é sobre pessoas estressadas, depressivas, cansadas que em nome da moral e dos bons costumes não podem/devem perder o controle de si e/ou de alguma situação. Mas, eles perdem e isso é contado de uma maneira bem humorada. (:
Isso resulta em um deleite para a reflexão, pois diante de cada episódio é interessante se perguntar: “O que eu faria?” O que você faria se na festa do seu casamento descobrisse que seu noivo(a) te trai com um(a) convidada(o) ?
Relatos Selvagens nos mostra seres humanos perdendo as estribeiras e sendo apenas humanos, sinceros, fazer o que né?! Afinal, todo mundo dentro de sua condição como ser humano esconde um pouco de podridão e histeria.

Em uma palestra sobre ética, o professor Leandro Karnal fala a respeito do filme e sua relação com essa temática.

Trailer do filme:


Espero que assistam, vale a pena.
Tchau.
😀


Uma ótima vida!
Valeu. :*