Sem Plumas

Sem Plumas, Woody Allen – Ed. Circulo do Livro S.A., 1978 SEM_PLUMAS_1289081178B

Já fiz um recortes de trechos desse livro aqui no blog, mas ao terminar a leitura achei que seria legal contar mais.
O livro contém fragmentos do diário de Allen, ensaios e duas peças de teatro. Tudo é escrito com um humor sarcástico e gostoso. Woody Allen é engraçado por essência.

Como o livro é uma reunião de coisas, escolhi os pontos altos, ou seja, meus escritos preferidos:

1) Morte (Peça de um ato): Um homem é acordado no meio da noite para entrar em um plano a fim de capturar um tarado que está a solta pela cidade. Apesar de desnorteado, ele acaba indo e… coisas acontecem.

2) Guia breve, porém útil, da desobediência: Aqui, Allen da dicas básicas sobre como iniciar uma revolução (rs).

Para se fazer uma revolução precisa-se de duas coisas: primeiro, alguém ou alguma coisa contra a qual se revoltar; segundo, alguém para fazer efetivamente a revolução. O traje é informal e ambas as facções devem ser flexíveis a respeito o local e hora do evento.” (pg. 125)

Ele nos conta também sobre alguns métodos de desobediência civil.

Greve de fome: Quando o oprimido fica sem comer até que suas exigências sejam atendidas (…)  O problema da greve de fome é que, depois de alguns dias, fica-se com uma bruta fome, e o governo então se aproveita para fazer com que todos os alto-falantes transmitam exclamações como “Hum… que delicia esta galinha…” ou “Pode me passar o molho?” ou “Já provou esta mousse?”. (pg. 126)

Greve sentada: Quando uma pessoa escolhe um determinado lugar na fábrica e senta-se sem trabalhar (…) Como na greve de fome, os opressores tentarão por todos os meios fazer o grevista levantar-se. Poderão dizer: “Ok, rapazes, é hora de ir para casa!” ou “Podia levantar-se um pouquinho? Queria ver se você é mais alto do que eu.

Passeatas: A principal finalidade de uma passeata é a de ser vista pela população (…) Durante a passeata é conveniente levar faixas e cartazes, para deixar em claro a posição dos manifestantes…” (pg. 127)

3) Ensaio sobre o amor:
É melhor amar ou ser amado? nenhum dos dois, se a sua taxa de colesterol estiver acima de seiscentos. Quando falo de amor, naturalmente me refiro ao amor romântico (…) Para ser um grande amante deve-se ser forte e, ao mesmo tempo, terno. Mas forte até que ponto? Acho que basta conseguir levantar trinta quilos. É preciso também ter em mente que, para quem ama, a mulher amada é sempre a coisa mais linda do mundo, mesmo que para um estranho ela seja indistinguível de um prato de mexilhões. A beleza está nos olhos de quem vê. Se quem vê for míope ou estrábico deve perguntar a pessoa ao lado qual é a garota mais bonita.
“As alegrias do amor duram apenas um instante”, catou o bardo, “mas suas dores duram uma eternidade”… (pg. 123)

4) Se os impressionistas tivessem sido dentistas: Allen recria as cartas que o pintor Vincent Van Gogh enviava ao seu irmão Theo. Conta os fatos como se, ao invés de pintor, Van Gogh fosse dentista.

Prezado Theo,
Sim, é verdade. A orelha à venda no mercadinho é a minha. Acho que fiz uma besteira, mas eu queria mandar um presente de aniversário a Claire no sábado passado e todas as lojas estavam fechadas. Não sei porque ela a vendeu para o mercadinho. Ora, bolas. talvez eu devesse ter ouvido o que papai dizia e me tornado pintor. Pode não ser tão emocionante, mas a vida seria mais estável. (pg. 224)

.haha.

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Uma ótima vida!
Valeu. :*

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Woody Allen e eu – Manhattan

Não, eu não sou pseudo-cult-intelectual-blasé-hipster-hype-seilámaisoquealgunsrotulam só porque simpatizo com Woody Allen e neste exato momento lhes escrevo sobre ele. A verdade é que sou apenas mais um número na estatística de nascidos em 1992.
Demorei bastante tempo para assistir um filme do Woody Allen e o fiz em um bom momento da minha vida. Acho Woody Allen neurótico, imprevisível, engraçado e inteligente. Ver, entender e achar bom um filme do cara tem muito a ver com o estado de espírito em que você se encontra. Não é recomendável experimentar Allen em um dia cansativo física e/ou mentalmente, já que o filme escolhido pode não ser tão simples quanto parece e o resultado pode ser bem frustrante. Enfim, assisti poucos filmes do Allen (até agora!) e adorei as experiências. Por isso, tenho a boa intenção de compartilha-las com vocês.

Para começar, vamos falar sobre o clássico e aclamado Manhattan.

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Manhattan é um filme de 1979 dirigido e estrelado pelo próprio Woody Allen. Conta a história de um escritor de meia-idade divorciado que está para publicar um livro contando assuntos pessoais sobre o seu casamento acabado. O detalhe é que sua ex-mulher (Meryl Streep – linda demais) o largou para ficar com outra mulher e fica incomodada com a exposição que o ex-marido quer provocar. Enquanto isso, o escritor namora uma menina de 17 anos e começa a acreditar que precisa se envolver com uma pessoa mais madura. Dentre as milhares de mulheres maduras que existem em Nova York, ele começa a se sentir atraído pela amante do seu melhor amigo.

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Gosto da bagunça que Woody Allen faz quando apresenta relações humanas. Apesar de parecer maluco é algo muito real. Demonstra de uma maneira engraçada e um tantinho possessiva a guerra constante entre o emocional e o racional que todo e qualquer ser humano vivencia ao se apaixonar. Por vezes, reconhecer isso pode ou acabar com sua vida amorosa (rs) ou torná-la mais leve e especial.

No filme, Allen aponta questionamentos sobre o sentido da vida. Ele escancara declarações de amor, demonstrações de sentimentos e atrações. E então, encerra o filme, deitado em um ~divã~, respondendo a pergunta: “Por que vale a pena viver?” A resposta é bonita e bem subjetiva. Allen é maestro em questionar a existência humana.

Por essas e outras, assistir a Manhattan pode te levar a uma boa viagem.
O filme está disponível no Netflix.


Uma ótima vida!
Valeu. :*

meu tipo de gente: neurótica.

Excertos de um diário…

“Pensamento: por que o homem mata? Para comer, é claro! E não apenas para comer: podem ficar certos de que há sempre uma Brahma na jogada.”

“Hoje vi um pôr-do-sol cheio de vermelhos e amarelos, e pensei: “Puxa, como sou insignificante!” O interessante é que ontem pensei a mesma coisa, embora estivesse chovendo…”

Examinando fenômenos psíquicos.

“Não há duvida de que o além existe. O problema é saber a quantos quilômetros fica do centro da cidade e até que horas fica aberto. Fatos inexplicáveis ocorrem constantemente. Um homem vê espíritos. Outro ouve vozes. Um terceiro acorda sobressaltado e se descobre de olhos. Quantos de nós já não sentimos uma mão gelada em nossa nuca quando estamos sozinhos em casa à noite? (Eu nunca, graças a Deus, mas muitos já.) O que há por trás dessas experiências? Ou na frente delas, se preferirem? Será verdade que algumas pessoas conseguem prever o futuro ou comunicar-se com os mortos? E depois da morte ainda será necessário tomar banho?”

(ALLEN, Woody. Sem Plumas. Escrito entre 1972 – 1975).


Uma ótima vida.
Valeu! :*